Há muitos anos me deparo com essa pergunta. Que arma devo comprar uma TAURUS ou uma IMBEL? Alunos, atiradores, admiradores, pessoas que querem garantir sua defesa pessoal comprando uma arma, simpatizantes e tantos outros, sempre que começam a se interessar pelas artes bélicas se perguntam que arma devo comprar?

Evitei tocar nesse assunto várias vezes, pois vaidades e interesses, dentre vários outros fatores entram em jogo e com certeza – e nem é minha intenção, essa breve publicação nunca iria exaurir o tema e desagradaria mais que agradaria aos que entendem ou querem entender sobre o assunto. Então deixo bem claro que o que adiante vou expor são opiniões minhas. Assim, fiquem à vontade para colocar as suas, pois sei que esse assunto poderá gerar inclusive discussões acaloradas.

Pistola Tanfoglio

Pistola Tanfoglio

Começo deixando bem claro que falo da escolha entre TAURUS e IMBEL, pois se pudesse comprar outra marca de arma de fogo com certeza não compraria uma arma da IMBEL, muito menos da TAURUS. Compraria outras marcas, uma para cada fim, como por exemplo: uma pistola TANFOGLIO ou da STI para a prática do IPSC;

uma pistola da Glock ou da CZ para trabalhar (no caso a CZ Duty); e para o uso fora de serviço, de maneira bem dissimulada ainda continuaria com com uma Glock, uma CZ ou uma Walther, porém, para este fim armas de duas polegadas.

Pistola CZ Duty

Pistola CZ Duty

Então, seguindo esse raciocínio, se queremos escolher entre uma pistola da TAURUS ou uma da IMBEL, primeiro temos que decidir para qual fim queremos essa arma de fogo. Para o trabalho policial, para a defesa pessoal ou para fins desportistas. Assim, vou falar das características gerais de cada fabricante, para então realmente entrar no cerne da polêmica.

Pistola P22 da Walther

Pistola P22 da Walther

Precisamos esclarecer também que não podemos confundir fabricante, modelo de arma e calibre. Para essa postagem vou me referir ao calibre .40 S&W e não farei alusão a modelos de armas sem apostá-los com precisão. Isso pois a legislação nacional não autoriza que compremos armas de calibres restritos de fabricantes internacionais. Ou seja, só podemos comprar armas nos calibres 9mm Parabellum, .40 S&W e .357 Magnum, dentre outros, só da TAURUS e da IMBEL. Fora dessa limitação estão os atiradores desportistas e os colecionadores.

munição deformada

Munição do calibre .40S&W.

A única força policial nacional que conseguiu fugir disso e pular o Exército Brasileiro (EB) para compras as armas que bem lhe entendessem foi o Departamento de Polícia Federal (DPF). Eles adquiriram para seu efetivo pistolas Glock no calibre 9mm, modelos G17, G19 e G26. Mais uma vez reverencio o DPF pelo espírito vanguardista dessa força. Falem o que quiser, mas falar que o DPF é mal equipado e que o nível das instruções deles é ruim, isso nunca.

Glock21 SF .45 ACP

Glock21 SF .45 ACP

Tive a oportunidade de frequentar o curso de Operador de Fuzil do DPF, ministrado pela Academia Nacional de Polícia, no qual habilita policiais para o uso de fuzis e carabinas AR15, XM15 e G36. Nesse curso recebi uma aula de excelência e competência em instrução de tiro para forças policiais. Mais para frente irei fazer uma postagem bem detalhada sobre o fuzil G36, que é um dos meus preferidos e falarei também desse ótimo curso que participei.

AR15 Colt

AR15 Colt

Sobre o calibre .380 ACP, que é o máximo em calibre que o cidadão comum pode comprar, a lei autoriza que adquira armas de fabricantes internacionais, como pistolas da Glock e da CZ, que já estão a venda nas casas de armas aqui no Brasil. Então se vc estiver em dúvida sobre comprar uma arma para sua defesa pessoal e não sabe se deve escolher entre uma pistola da TAURUS ou da IMBEL, esse dilema é facilmente resolvível. Não compre nenhuma das duas marcas. Se vc for comprar armas no calibre .380 lhe é facultado adquirir armas de outras marcas que não essas duas, compre sem titubear uma Glock ou uma CZ. Claro, após feitos todos os trâmites legais no DPF e aliás, boa sorte, você vai precisar.

Fuzil G36 da HK

Fuzil G36 da HK

Em relação ao calibre .40 por força de lei só podemos comprar TAURUS ou IMBEL, assim vamos nos concentrar nesses dois fabricantes e de forma bem breve vamos ver quem são essas empresas.

A IMBEL teve seu início com a criação da Casa do Trem, no Rio de Janeiro, em 1762, com  o nome de Indústria Bélica Nacional e tinha a finalidade de guardar, conservar e realizar pequenos reparos no armamento e nos equipamentos das tropas existentes no vice-reinado. Em 1808, foi fundada por D. João VI a Fábrica de Pólvora da Lagoa Rodrigo de Freitas, localizada no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Em 1826 foi transferida para a cidade de Magé-RJ, com a denominação de Real Fábrica de Pólvora da Estrela, mediante Decreto de D. Pedro I.

A partir de 1939 foi reestruturada, passando a ter a atual denominação de Fábrica da Estrela, funcionando como uma Organização Militar do Ministério do Exército até a criação da IMBEL em 1975. Através dos tempos, teve sua existência marcada por impulsos de modernização exigidos pela dependência externa dos principais produtos internacionais.

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Há indicativos que a criação da empresa pública IMBEL – Indústria de Material Bélico do Brasil foi em decorrência do rompimento, no ano de 1974, pelo Governo Geisel, do Acordo de Cooperação Militar Brasil – Estados Unidos, firmado durante a 2ª Guerra Mundial. Com a sua criação, as Fábricas Militares do Exército foram transferidas para a estatal, e com isso, o setor de defesa, integrado com as demais empresas privadas da época, passou a ser uma atividade estratégica para o país, com uma tecnologia nacional em evolução, que permitiria ao Brasil tornar-se mais independente em produtos militares.

No exercício de sua função produtora, administra industrial e comercialmente 5 (cinco) Unidades de Produção que têm por vocação a produção de material bélico e outros bens, cuja tecnologia derive da gerada no desenvolvimento de equipamentos de aplicação militar, por força de contingência de pioneirismo, conveniência administrativa ou no interesse da segurança nacional.

Atualmente, a IMBEL possui as seguintes Unidades de Produção:

– Fábrica da Estrela (FE), especializadas em produtos químicos, localizada no Município de Magé, RJ;

– Fábrica Presidente Vargas (FPV), especializadas em produtos químicos e em abrigos temporários (barracas), localizada em Piquete, SP;

– Fábrica de Itajubá (FI), que produz armas de calibre leve e artigos de cutelaria, situada em Itajubá, MG;

– Fábrica de Juiz de Fora (FJF), produtora de munição de grosso calibre, em Juiz de Fora, MG; e

– Fábrica de Material de Comunicações e Eletrônica (FMCE), voltada para equipamentos de comunicações e TI, no Rio de Janeiro, RJ.

A Forjas Taurus S.A. é uma empresa industrial brasileira, fabricante de produtos de defesa, capacetes para motociclistas, contêineres plásticos e pequenos componentes metálicos. Produz revólveres, pistolas, carabinas, armas de pressão, fuzis e submetralhadoras para o mercado interno e internacional, além de equipamentos para motociclismo como capacetes e óculos. A companhia ainda produz contêineres e componentes metálicos. Atualmente exporta seus produtos de defesa para mais de setenta países, constituindo-se em uma das três maiores fabricantes mundiais de armas curtas. É também a maior empresa no segmento de capacetes do Brasil.

A Forjas Taurus Ltda. nasce quando os amigos João Kluwe Júnior, Ademar Orlando Zanchi, Oscar Henrique Purper, Eugênio Ervin Hausen, Herbert Müller e João Guilherme Wallig decidem criar a própria empresa. Encomendaram o maquinário da Alemanha. No entanto, com o início da Segunda Guerra, as compras foram suspensas. Como não existiam fornecedores no Brasil, os empresários decidiram fabricar suas próprias máquinas, a princípio destinadas apenas ao consumo interno, e mais tarde, comercializadas para outras empresas.

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Na esteira da Guerra, o fornecimento de petróleo foi comprometido, forçando a empresa a construir fornos de gaseificação. Com a escassez do aço, a Taurus passou a confeccionar produtos com sucata. Um batismo de fogo, mas que demonstrou, desde o princípio, o empenho e a criatividade inerentes à marca.

Com o fim da Segunda Guerra, a importação de máquinas ficou mais fácil e mais barata. Isto dificultou a comercialização dos produtos nacionais. Diante do novo cenário, a empresa volta ao objetivo original, redireciona investimentos e começa a fabricar revólveres e ferramentas manuais. Em 27 de junho de 1949, a Forja Taurus transformou-se em uma Sociedade Anônima, dando início a um novo ciclo de crescimento.

Concluída a ampliação do parque industrial, foi construída uma nova fábrica, na zona norte de Porto Alegre. Entretanto, a década de 60 foi marcada por grandes tensões políticas no país, que resultaram numa regulamentação extremamente rígida para a comercialização de armas. Ainda sem estrutura para concorrer no mercado externo, a Forja Taurus passou seu controle acionário para uma empresa estrangeira, no início dos anos 70.

Em julho de 1980, foi adquirida a totalidade das ações da subsidiária brasileira da Indústria e Comércio Beretta S.A., de capital italiano, sediada em São Paulo, especializada na fabricação de pistolas e metralhadoras. Com isso, a Taurus passou a imprimir a sua marca em pistolas semiautomáticas, aumentando ainda mais sua capacidade de produção e linha de produtos.

Em 1981, nascia a Taurus International Manufacturing Inc. (TIMI), em Miami, Flórida, EUA, criada para impulsionar o crescimento no mercado americano. Dois anos depois, surgia a Taurus Blindagem Ltda., empresa do grupo responsável pela produção de escudos e coletes à prova de balas.

Em agosto de 1986, a Taurus iniciou, por meio da Taurus Blindagens, a produção de capacetes da fábrica Induma – Metais e Plásticos Ltda. Em pouco tempo, tornou-se pioneira no Brasil na utilização de Kevlar, uma fibra sintética cinco vezes mais resistente que o aço. Estava consolidada a liderança no mercado de capacetes para motocicletas e ciclistas, coletes à prova de balas e escudos antitumulto.

Revolver Hanging Bull da TAURUS

Revolver Raging Bull da TAURUS

O ano de 1991 marcou o início da fabricação e comercialização das pistolas PT-22 e PT-25 pela Taurus International Manufacturing Inc. Em novembro de 1999, a Taurus completou 60 anos de existência. Em sua trajetória, a empresa tornou-se uma das três maiores fabricantes mundiais de armas curtas, com clientes em mais de 70 países, nos cinco continentes.

Quantos as pistolas que essas empresas produzem penso o seguinte:

IMBEL: suas pistolas são clones das celebres pistolas 1911 da COLT, que não por acaso é o nome de nosso Blog. Esse projeto foi um marco importantíssimo para a história das armas de fogo e dizem que é o projeto de arma curta mais copiado do mundo. As pistolas da IMBEL possuem um aço melhor, precisão de tiro melhor, estabilidade e o peso de suas armas são melhores.

Colt 1911

Colt 1911

São muito mais robustas que as pistolas da TAURUS, e com tolerâncias também mais largas. Podem ser customizadas, ou seja, podem ser modificadas, personalizadas de acordo com o gosto do dono e de suas possibilidades financeiras, pois não é algo barato trocar as peças de uma IMBEL. O seu sistema de segurança, no meu entendimento, é mais confiáveis, principalmente por causa da trava da empunhadura (beavertail), que impede que as armas disparem sem que a empunhadura correta seja obrigatoriamente feita. Possui as molas recuperadoras, do carregador e do percursor bem mais fortes que as molas da TAURUS.

Destaque na trava da empunhadura.

Destaque na trava da empunhadura.

Toda arma da IMBEL, antes de ser entregue para a comercialização são testadas com cinco disparos, inclusive o alvo onde foi feito o teste vem junto à embalagem da arma.

Como desvantagem aponto seu acabamento, que não é dos melhores, o peso excessivo para o porte dissimulado e seu funcionamento em Ação Simples, principalmente para a atividade policial. A fábrica ainda tentou melhorar essa desvantagem em relação as pistolas em Ação Dupla criando o sistema ADC (Armador/Desarmador do Cão), que faz o cão armar automaticamente ao se apertar a tecla do registro de segurança, que não é mais o registro de segurança, serve então para armar o cão apenas. A Ação Simples e o sistema ADC exigem do atirador um nível de treinamento maior, pois o operador pode literalmente morrer sem sequer dar um disparo, pois se não houver o armar do cão através do ADC a arma não funciona.

Várias armas da IMBEL vem apresentando defeito no sistema ADC, pois ele se quebra e assim a arma sai de operação. A minha mesmo caiu a peça do registro de acionamento do ADC. A fábrica está trocando essas peças de acordo com o pedido do usuário ou da Corporação policial, sem contudo fazer um Recall.

Em contrapartida, a Ação Simples das pistolas IMBEL proporciona ao atirador um gatilho muito mais leve, com um percurso menor, “pequeno” desde o primeiro disparo, o que aumenta muito seu aproveitamento e em situações onde o atirador é pego de surpresa é muito importante que o disparo seja feito com precisão. O que não acontece com as armas da TAURUS, que trabalham em Ação Dupla. O primeiro disparo, por causa do percurso do gatilho muito longo, se torna muito difícil e a probabilidade de não aproveitá-lo é muito grande.

Quero pontuar que é a Ação Dupla da Forjas TAURUS que dificulta o aproveitamento do primeiro disparo. Por exemplo a arma que inspirou a TAURUS, a Beretta 92, também em Ação Dupla, seu primeiro disparo, mesmo que com o gatilho mais longo e pesado que os outros, pois estes serão em Ação Simples, não é excessivamente pesado a ponto de dificultar a ação do atirador. Na verdade essa arma tem um projeto tão bem acabado que faz com que os disparos fiquem mais concentrados do que o normalmente conseguido com armas da TAURUS. Dá a impressão que a arma te ajuda a atirar melhor, e é isso mesmo!

TAURUS: assim como as IMBEL não possuem acabamento de qualidade e também não aguentam as exigências do uso normal, nada muito exagerado. Não aceitam customizações ou melhorias em sua estrutura. Não são robustas e possuem baixa tolerância à sujeira e diferenças de munições, principiantes recarregadas. É muito comum as munições que falharam a percussão nas pistolas TAURUS funcionarem nas IMBEL sem problema, o que prova a robustez destas.

As armas da TAURUS vem apresentando vários defeitos. Algumas já foram recebidas em Corporações Policiais sem o percursor, o que prova que não há um teste final, antes da entrega ao consumidor. Quem está duvidando é só dar uma olhadinha no YouTube, ou só ler as páginas dos jornais.

PT100 da TAURUS.

PT100 da TAURUS.

Em Brasília as pistolas da TAURUS estão dando rajada somente com uma simples chacoalhada. Em São Paulo na PMESP, da mesma forma. E lá passaram ou vão passar por um Recall para troca de peças.

Aqui em Goiás, na PMGO os modelos PT 840 passaram também por um Recall para trocas algumas peças e também o percursor, que estavam quebrando. E não adiantou, pois ainda estão quebrando.

Pistola 840 TAURUS.

Pistola 840 TAURUS.

A TAURUS vai inventando e copiando várias armas, como por exemplo as mundialmente renomadas Beretta 92, só que a cópia não passa nem perto da original no quesito qualidade, quem já atirou com uma e com a outra sabe o que estou dizendo. Não há uniformidade nas armas da TAURUS, os gatilhos cada um tem um peso diferente, o golpe de segurança e a força da mola recuperadora é uma surpresa em cada arma, mesmo em armas de modelo igual e de mesmo lote. Ainda sobre os gatilhos digo que além de serem excessivamente pesados, inclusive para a atividade policial, são grossos e mal acabados.

Pistola Beretta 92FS.

Pistola Beretta 92FS.

Alguns irão ler e discordar do que falei sobre os gatilhos das pistolas da TAURUS, pois existem vários modelos com vários tipos de gatilho. Ação Dupla e Simples, somente Dupla, somente Simples. Primeiro disparo em Ação Dupla ou Simples, a gosto do atirador… Firulas!! Armas mundialmente aceitas não se preocupam com essa gama de variedades, mas ninguém abre a boca pra falar que elas são armas sem qualidade. Acho que a TAURUS deveria se concentrar em fazer um “feijão com arroz” com mais qualidade, para depois pensar em algo mais elaborado.

O acabamento, polimento e corte das peças da pistolas é sofrível e quando são novas elas não são desmontáveis, pois as peças mal feitas não permitem isso. Imagino que a primeira montagem dessas pistolas na fábrica foi feita com uma marreta.

Pistola 24/7

Pistola 24/7

No ultimo modelo da PT 24/7 PRO D que recebemos aqui na PMGO é comum os gatilho prender a retaguarda durante o tiro, é comum também a pane de percursão, inclusive com munições novas. É como se a mola do percursor não tivesse força para ferir a espoleta e essas mesmas munições funcionam normalmente nas pistolas da IMBEL, mesmo as que foram picotadas e não percutidas nas TAURUS.

Pistola 24/7 PRO D com o gatilho preso. Fato acontecido durante o tiro.

Pistola 24/7 PRO D com o gatilho preso. Fato acontecido durante o tiro.

As pistolas da TAURUS tem como vantagens o peso leve de suas armas e a Ação Dupla, principalmente para o uso policial, o que as tornam mais fácil de usar.

Para a prática esportiva a IMBEL é a preferida pela possibilidade de customização quase que em sua totalidade. Também são escolhidas pela robustez, pelo peso da arma e pela precisão que ela proporciona, peso e tamanho do percurso do gatilho, dentre outras qualidades. As pistolas das TAURUS muito raramente são usadas para o tiro esportivo.

Para a atividade policial as pistolas da TAURUS, por causa da Ação Dupla são as preferidas, pois são mais simples de serem usadas. No primeiro tiro basta só sacar e atirar. O que não acontece com a IMBEL. Se a pistola possuir o sistema ADC você terá que armar o cão antes do primeiro disparo, através da tecla do ADC. Se não possuir o ADC terá que andar com ela com o cão armado e travado ou com ela carregada e com o cão a frente. No primeiro caso terá que sacar, destravar e atirar; no segundo caso terá que sacar, armar o cão e atirar. Duas operações nada fáceis de fazer em momentos de stress.

Esse vídeo mostra o problema das pistolas da TAURUS na Polícia Militar de São Paulo, impressionante!!!

Se fosse uma Colt 1911 original eu arriscaria colocar minha arma com o cão armado e travada em um coldre dissimulado, mas como não é causa medo. Se for uma IMBEL eu não arriscaria, da medo, pois apesar de tudo que eu falei, sei das limitações das armas da Indústria de Material Bélico do Brasil.

Já para o uso pessoal, para defesa própria eu prefiro armas em ação dupla e de pequeno tamanho – duas polegadas, sem cão (hammerles) e com o chassi em polímero. A IMBEL não possui uma arma assim, a que mais se aproxima disso é a Xodó (Pst .40 SC MD2), uma pistola da IMBEL no calibre .40, de duas polegadas, mas muito pesada e muito “pontuda” para o uso dissimulado.

xodó

Pistola TC MD6 da IMBEL, também conhecida como “Xodó”.

Assim, a arma que eu tenho para o meu uso pessoal é uma TAURUS 640 PRO, onde todos seus disparos, inclusive o primeiro é em Ação Simples. Já usei essa arma várias vezes em treinamentos e em confrontos e ela nunca me deixou na mão. Isso me leva a levantar uma hipótese minha. Acho que a TAURUS tem menos cuidado na fabricação de suas armas quando se destinam às forças policiais do que as armas para particulares. A minha 640, que comprei como um particular, é muito boa no que diz respeito a confiabilidade de seu funcionamento, mas o acabamento não é lá essas coisas.

Pistola sem cão, cão embutido ou hammerles.

Pistola sem cão, cão embutido ou hammerles.

Mesmo tendo uma pistola da TAURUS deixo bem claro que é por falta de opção. Há alguns anos eu tinha uma 24/7 .40S&W, o primeiro modelo fabricado dessa linha no Brasil. Uma novidade tecnológica sem comparações para a época, segundo a fábrica. Essa pistola TAURUS 24/7 caiu ao solo e disparou acertando e destruindo meu braço direito, entrou no tórax e saiu nas costas. Atingiu fígado e pulmão. Sim, é isso mesmo que você acabou de ler. Ela caiu e disparou com um traque, daqueles que se joga no chão e explode.

Esse outro vídeo mostra os problemas com as pistolas da TAURUS na PM do Distrito Federal.

Esses três vídeos vieram de um oficial da PMESP, atirador, enviado a mim há muitos anos. O áudio esta dessincronizado com a imagem, mas é uma pistola 24/7, se não me engano Tactical,  que dispara após ser chocada contra um cabo de vassoura. Veja que não foi necessário muita força para fazer a arma disparar.

Estou vivo graças a aquiescência divina. Assim como meu caso encontrei vários pelo país e inclusive outros aqui na PMGO e com esses casos estou movendo uma ação contra a Forjas TAURUS tentando uma indenização em dinheiro que não irá pagar nunca a paralisia que se instalou na minha mão direita e o risco que minha vida passou. Quantas pessoas vocês conhecem que levou um tiro no peito de .40 e está vivo? Eu conheço uma… Assim não há como gostar muito de TAURUS.

Então, finalizando eu uso para trabalhar uma IMBEL MD5, com gatilho da STI, alongador da trava do carregador, funil e alongador de carregador. E para o uso dissimulado, para defesa pessoal uma TAURUS 640 PRO.

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IMBEL MD5, com gatilho da STI, alongador da trava do carregador, funil e alongador de carregador. E para o uso dissimulado, para defesa pessoal uma TAURUS 640 PRO.

Como disse inicialmente, não tenho a intenção de acabar com as polêmicas desse assunto. Apenas falei de maneira livre o que eu penso sobre a escolha de uma pistola da TAURUS ou da IMBEL, embasado nos conhecimentos que consegui estudando e dando aulas de tiro, armamento e equipamento policial há mais de 12 anos, isto é, vendo na prática como essas armas se comportam no momento maior, na hora do tiro propriamente dito.

Espero que de alguma forma tenha conseguido acrescentar alguma coisa ao que os senhores já sabiam. Creio que nos debates e opiniões que irão surgir, novas observações interessantes irão aparecer. Essa publicação não está fechada e o que for postado de pertinente eu irei acrescentar ao texto. Assim como uma WIKI.

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TKS DOBRADO!

Major Bruno.