No mês de agosto deste ano os alunos do 11º CIRO – Curso de Intervenção Rápida Ostensiva, participaram de uma instrução de tiro com marcadores de paintball, montados em motocicleta, atirando em movimento.

Alunos do 11º CIRO.

Alunos do 11º CIRO.

O CIRO é o curso que forma policiais militares (PPMM) para que possam trabalhar no GIRO, que é o Grupo de Intervenção Rápida Ostensiva da Polícia Militar do Estado de Goiás. O GIRO da PMGO foi o primeiro grupamento do Brasil a fazer o policiamento de alto risco em motocicletas e já foi objeto de outra publicação de nosso Blog.

Para saber mais sobre o GIRO acesse nossa publicação anterior clicando ai – INSTRUÇÃO COM O “FUZIL” MD97 IMBEL PARA O GIRO

O CIRO tinha além dos dez alunos da PMGO, mais dois PPMM da PM da Bahia.

O CIRO tinha além dos dez alunos da PMGO, mais dois PPMM da PM da Bahia.

O paintball começou a ser usado na PMGO em instruções policiais militares graças ao Tenente Coronel Flecha, que trouxe esse “brinquedo” para dentro do quartel e desde então vem ajudando na formação e especialização de PPMM de nossa Corporação.

Os aparelhos de paintball são chamados de marcadores, objetivando separar esses aparelhos da imagem das armas de fogo. Na maioria das vezes os marcadores de paintball não são idênticos ás armas de fogo, primam principalmente pela praticidade do equipamento durante as partidas de paintball, mas alguns são simulacros de fuzis como o XM15.

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Os marcadores que usamos geralmente em nossas instruções são simulacros de armas de fogo. Neste caso os marcadores usados simulam o AR15 da Colt ou XM15 da Bushmaster e alguns outros que não são simulacros de armas de fogo também foram usados. Para o treinamento policial militar é melhor os marcadores que se assemelham à armas de fogo, pois ajuda o aluno se habituar com o formato, com a empunhadura e a condução do armamento real.

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Como a atividade principal do GIRO é a pilotagem de alto risco, direcionada para o crime cometido em motocicletas, a atenção dos PPMM é voltada principalmente para a abordagem à motocicletas. Isso motivou esse treinamento, pois a possibilidade de uma reação no momento de uma abordagem, ou o enfrentamento com arma de fogo em deslocamento, contra agressores é real.

As equipes do GIRO são equipadas com a carabina MD97 da IMBEL e cada policial tem uma pistola no calibre .40 S&W, seja da TAURUS ou IMBEL, além do DEC – Dispositivo Eletrônico de Controle, mais conhecida como TASER.

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O Garupa, que é o PM encarregado pela segurança da equipe em deslocamento, nas paradas no trânsito e principalmente no início da abordagem a suspeitos, pois os outros PPMM estão com as mãos no guidão da moto e ele está com a arma em punho, fazendo o enquadramento inicial dos abordados. Inclusive durante o patrulhamento o garupa fica com a arma na mão, repousada sobre a perna. Sempre pronto para responder possíveis agressões armadas.

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Porém, a prática já nos mostrou que em ocorrências policiais, mesmos os PPMM que estão pilotando, no momento do enfrentamento com armas e fogo, também atiram. A destreza dos pilotos do GIRO da a eles a possibilidade de executar disparos com aproveitamento, dentro dos níveis de segurança que o POP PMGO exige em ocorrências dessa importância.

Os exercícios começaram com uma preleção inicial falando sobre o manuseio dos marcadores e os objetivos pretendidos durante as instruções.

Nesse vídeo temos a apresentação do 11º CIRO para o início da instrução.

O primeiro exercício que fizemos foi o treinamento simulando a abordagem à motocicleta com duas pessoas, com possibilidade de reação com arma de fogo.

Neste vídeo temos a simulação de uma abordagem onde houve a reação dos abordados, ou a tentativa, ainda sobre as motocicletas. O segurança da equipe faz a reação corretamente, acertando seu agressor.

A equipe de alunos, composta com quatro ou cinco PPMM, sempre com um garupa, se aproxima e da ordem ao condutor para que pare seu veículo, pois uma revista pessoal será procedida.

Neste vídeo mostramos um exercício onde os abordados foram cooperativos.

Sem que a equipe saiba, o garupa da moto abordada, poderá ou não reagir à abordagem, seja correndo, resistindo aos comandos ou mesmo reagindo com disparos – no caso de paintball. O elemento surpresa deve estar presente, pois nunca se sabe o que pode acontecer em uma abordagem policial.

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Alunos preparando os materiais para a instrução.

Percebemos no decorrer da instrução que não há como fazer tiro visado, aquele tiro que fazemos a mira antes de disparar. É nesse ponto que esta a importância o uso do paintball no treinamento. Ele mostra onde os PPMM acertaram, bem como onde o agressor acertou. Como o grau de adestramento dos PPMM do GIRO é  muito alto, na maioria das vezes o garupa da moto abordada foi tirado de ação antes de conseguir acertar um dos policiais.

Esse vídeo mostra o Instrutor Cabo Fernando, fazendo o exercício de tiro em movimento.

O outro exercício desenvolvido nessa instrução foi o tiro em movimento propriamente dito. Uma moto levando um garupa tinha que perseguir outra moto e o garupa tinha que realizar disparos, acertando um manequim que estava amarrado nas costas do piloto. Os disparos deveriam acertar somente o manequim e serem feitos em tiro duplo, que é o tiro policial por excelência.

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Atirar em movimento não é tarefa fácil. a moto que está a frente pode tomar qualquer direção ou até mesmo frear e o controle do cano da arma deve ser tido como pressuposto de segurança maior. Se houver a necessidade de trocar de empunhadura, passando a arma para o braço forte ou fraco, o cano da arma não pode “varrer” as costas do piloto e essa mudança de empunhadura deve ser feita com o dedo fora do gatilho.

Neste vídeo servi de motorista do Cabo Fernando, Instrutor de Pilotagem. Foi quando pude entender a necessidade do entrosamento entre piloto e atirador.

Uma conclusão importante que chegamos é que na maioria dos casos não é necessário trocar de empunhadura, basta o piloto da moto angular sua posição sempre a esquerda do alvo, se o atirador for destro ou a esquerda se o atirador for canhoto. Isso pede da dupla piloto/atirador um entrosamento muito grande, pois o piloto deve sempre proporcionar ao atirador a melhor posição de tiro, com o melhor ângulo de visada. E o piloto também deve se posicionar de maneira que o garupa da moto que esta sendo seguida não tenha ângulo de tiro, observando sempre para qual lado o agressor esta virando e posicionar sua moto sempre para o lado oposto. Isso tudo em movimento e feito em alta velocidade.

Concluímos também que o capacete é um acessório que atrapalha o atirador e fazer a visada correta, encostando a face na coronha da arma longa, o que obriga que o tiro montado seja semi visado, nem totalmente instintivo, nem totalmente visado.

Temos que destacar que na atividade cotidiana do GIRO os PPMM portam uma arma curta, que é mais fácil de empunhar, porém, mais difícil de atirar em movimento, pois não possui a coronha da arma longa e por isso desestabiliza mais no momento do tiro.

A quantidade de bolinhas colocadas em cada marcador era apenas 20, pois diferentes das partidas de paintball que acontecem no mundo civil, os PPMM quando em atividade, não tem a mesma quantidade de munições que os jogadores do esporte. Limitamos a quantidade para que o PM se habitue a controlar seus tiros, para não ficar sem munições em uma ocorrência policial.

Nesse vídeo temos os meus disparos. O piloto foi o Cabo Fernando, que gentilmente cedeu as imagens para essa publicação.

O piloto tem a função de escolher o melhor ângulo de tiro para o atirador e pelo atirador deve ser orientado, a verbalização entre os dois é fundamental. O atirador deve se concentrar no tiro, no momento e no local correto, pois como já prevê o POP PMGO, se a segurança de pedestres e transeuntes for colocada em risco e ação poderá inclusive ser abortada.

Esse treinamento foi feito com marcadores de paintball simulando armas longas, porém, a arma que o PM carrega e com ela faz a primeira reação e a pistola, uma arma curta. As armas curtas dão ao atirador uma maior mobilidade, mas o tiro com a pistola é mais difícil do que com a carabina MD97, pois essa oscila, desestabiliza menos que as armas curtas, mas em contrapartida são mais difíceis de manuseá-las quando em deslocamento montado, seja em patrulhamento normal ou no deslocamento de alto risco.

E nesse vídeo temos o exercício de tiro feito por um dos alunos do CIRO.

Usamos em nossas motos um coldre acoplado a seu quadro para a condução da arma longa. A experiência nos mostrou que é insalubre e desumano a condução da carabina nas mãos ou nas costas do operador, fixadas com uma bandoleira ao corpo ou não.

Moto GIRO

Aquela velha e batida máxima “TREINAMENTO DURO, COMBATE FÁCIL”, é a que mais me vem a mente em treinamentos como esse. O equipamento pesado, o sol forte, a arma longa, a moto de difícil pilotagem, com um garupa se mexendo e fazendo movimentos brusco, o risco da velocidade e no combate real a “bala que canta” de lá pra cá, fazem com que treinamentos como esses sejam desgastantes, perigosos e até insalubres. Mas só podemos conseguir um nível mínimo de segurança tanto para nossos PPMM, quanto para a população, através deles.

empinando

A voluntariedade, o sacerdócio e o amor ao GIRO é que move os “Cavaleiros de Aço” a combaterem o crime numa modalidade de policiamento tão perigosa e desgastante como o patrulhamento de alto risco, que é a função primordial do GIRO. E são qualidades como essas que fazem do GIRO da PMGO o primeiro e o melhor grupamento de policiamento nessa modalidade.

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TKS DOBRADO!

Major Bruno.