Terminou no dia 04 de fevereiro, a instrução para a habilitação no uso do “fuzil” da IMBEL MD97 para o GIRO (Grupo e Intervenção Rápida e Ostensiva) da PMGO.

GIRO com as

GIRO com os “fuzis” MD 97 IMBEL.

Perceba que quando me refiro ao MD97 como fuzil coloco entre aspas. Isso porque ele na verdade não é um fuzil, mas sim uma carabina. Todas as armas que possuem o regime de tiro automático (rajada), quando são enviadas para as Polícias Militares (PPMM) para serem usadas na lida operacional, são convertidas para o sistema semiautomático. Apenas as Forças Armadas, teoricamente, são autorizadas a utilizarem  armas de fogo com regime automático.

Pelo fato de não possuir o regime de tiro automático e também pelo tamanho do cano ser menor do que o dos fuzis e ainda por serem mais compactos, o MD97 que as PPMM trabalham não é um fuzil de assalto, mas sim uma carabina, mesmo calçando a munição 5,56x45mm ou .223 Remington.

Infelizmente o Exército Brasileiros ainda controla as armas que as PPMM usam, restringindo bastante as nossas escolhas. Não podemos sequer escolher a marca da arma para trabalharmos. Os únicos fabricantes de armas nacionais são a TAURUS e a IMBEL. Ruim e menos ruim respectivamente, por isso trabalho com a pistola menos ruim, uma IMBEL .40.

MD97 IMBEL e XM15 Bushmaster.

MD97 IMBEL e XM15 Bushmaster.

Utilizamos também na instrução “fuzis” XM15 Bushmater e “inconscientemente” os PPMM sempre escolhiam o XM15 para atirar, mesmo tendo a falsa fama de serem descartáveis

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Como de costume o MD97 deixou à desejar, proporcionando um show de panes. Até ao ponto dos parafusos do zarelho do cano se soltarem e as bandoleiras saírem, fazendo que a a arma caísse ao chão. O mesmo não aconteceu com o XM15, que funcionou normalmente.

Antes da instrução os PPMM fizeram a manutenção do armamento.

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Junto com o Capitão Joneval começamos a instrução com disparos de assimilação a 15 metros, fazendo exercícios de recarga emergencial. Após, fizemos tiro com empunhadura fraca e exercícios de manejo e então passamos para os disparos em Tiro Duplo a 25 metros, que é o tipo de tiro usados pelas forças policiais. Decidimos por essa distâncias para os disparos considerando o tipo de serviço que o GIRO realiza nas ruas da Capital Goiana.

Linha de tiro.

Linha de tiro.

O GIRO é um grupamento de policiamento especializado, que trabalha com armamento diferenciado, treinamento específico para a missão de alto risco, conduzindo motos modelos ON-OFF ROAD de 660cc, com o objetivo de combater os crimes cometidos com o uso de motocicleta. O GIRO da PMGO foi o primeiro no país e fazer um policiamento de auto risco em motocicletas.

Várias PPMM de todos os Brasil já se habilitaram em nossos curso de especialização e, inspirando-se em nossa modalidade de policiamento, fizeram grupamentos semelhantes.  Alguns possuem inclusive o mesmo nome, GIRO. Atualmente tenho o prazer de ser o Subcomandante desta tão renomada unidade especializada.

Equipes saindo para o serviço.

Equipes saindo para o serviço.

O GIRO era uma companhia do BPMChoque da PMGO, mas com o sucesso de policiamento de auto risco realizado pelo Grupamento surgiu a necessidade de sua emancipação. Hoje o GIRO é uma Companhia Independente. Na foto vemos uma equipe patrulhando, ainda com o uniforme camuflado urbano, característico do BPMChoque.

Equipe em patrulhamento.

Equipe em patrulhamento.

Fizemos também os exercício de tiro em movimento. Tento em minhas instruções, procedê-las de forma a se aproximarem o máximo possível da realidade. O tiro em movimento é algo que pode possivelmente acontecer em confrontos armados e é um tipo de tiro muito difícil de se operar, exigindo para seu êxito um deslocamento muito estável e, dependendo da distância, uma visada contínua pelo aparelho de visada (mira).

Passada a parte inicial, partimos para a habilitação propriamente dita. Um exercício com atiradores na Posição Torre, usando Tiro Duplo e uma recarga obrigatória. A habilitação é conseguida com o aproveitamento mínimo dos disparos e critérios pré definidos como, dedo fora do gatilho, resolução de panes, normas de segurança, controle do cano, acertos dos disparos, procedimentos de recarga e manejo, dentre outros que são observados e apontados em uma súmula de tiro. Esse procedimento acaba com a velha subjetividade das provas de tiro. Ao final os alunos, se concordarem, assinam a Súmula de Tiro.

Linha de tiro do segundo dia.

Linha de tiro do segundo dia.

Nesse vídeo temos os instrutores fazendo a demonstração do exercício:

Após os devidos esclarecimentos passamos para a prova de habilitação. Como a frente podemos ver.

Esse foi apenas mais um treinamento dos diversos que um grupo especializado como o GIRO precisa ter. Socorrismo, pilotagem de alto risco, noções de mecânica, adentramento e progressão tática e vários outros.

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TKS DOBRADO!

Major Bruno.