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PROTEÇÃO BALÍSTICA – Parte I

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Este tema, proteção balística, hoje é muito amplo e de maneira alguma conseguiríamos exauri-lo, pois encontramos proteção balística em itens como óculos, luvas, vidros, fios elétricos, peças automobilísticas, veículos (civis e militares) além de uma infinidade de possibilidades, por isso mesmo vamos nos ater a proteção balística pessoal, fazendo um passeio histórico desde sua possível origem, atualidade e algumas novidades que andam aparecendo por ai.

Na página da Self Defense encontramos uma artigo do nosso amigo Major Victor, que nos dá uma introdução muito interessante sobre a proteção balística e sua evolução. Lá nos é apresentado que a primeira utilização pelo homem de algo semelhante ao que hoje nós conhecemos como proteção balística, foram as peles de animais, usadas ainda pelos primitivos para se proteger das garras e presas dos predadores. Muito depois, surgiram os escudos, feitos de peles no início, e então de materiais rígidos, como a madeira e metais. Os metais também foram usados pelos romanos na proteção do corpo, como placas peitorais, e depois como armaduras de corpo inteiro na idade média. Com o advento das armas de fogo (por volta de 1500 d.C), as proteções existentes tornaram-se obsoletas e logo perderam espaço.

Essa é uma cota de malha de aço, usada embaixo das armaduras dos cavaleiros medievais. Com o surgimento de balestras mais poderosas e depois das armas de fogo as armaduras medievais perderam a função de proteção do seu usuário.

Essa é uma cota de malha de aço, usada embaixo das armaduras dos cavaleiros medievais. Com o surgimento de balestras mais poderosas e depois das armas de fogo as armaduras medievais perderam a função de proteção do seu usuário.

A proteção balística flexível como hoje conhecemos teve suas origens ainda no Japão medieval, onde os guerreiros usavam peças confeccionadas em seda para se proteger do fio das espadas e das flechas inimigas. Somente no século XIX é que os americanos tentaram utilizar a seda com fins de proteção balística, contudo, esta se mostrava efetiva contra os projéteis de baixa velocidade (em torno de 100 a 150 m/s) das armas usadas até então, e ineficazes contra a nova geração de armas raiadas, que atingiam mais de 200 m/s. Além disso, o custo da seda era altíssimo – o equivalente a 2.500 reais de hoje – por unidade.

A próxima geração de material balístico viria durante a Segunda Guerra Mundial. O Nylon balístico era eficiente contra fragmentos de projéteis e explosões, mas não detinha a maior parte dos projéteis de pistolas e fuzis. Além do quê, eram extremamente grandes e desajeitados, mal servindo para fins militares.

Os anos 60 não foram bons para os policiais americanos. O número de policiais mortos em serviço cresceu assustadoramente e o governo tomou providências (Ah! Se aqui no Brasil fosse assim…). Mais de três milhões de dólares foram gastos em pesquisas para se desenvolver um material que atendesse às necessidades dos policiais.

Diante de novos desafios, novas soluções foram aparecendo e curiosamente a resposta surgiu na DuPont (aquela da lingerie), que tentava desenvolver um tecido que substituísse o aço dos pneus de veículos, fabricado de fibra de aramida. Procurados pelo governo, testes foram realizados com o Kevlar, que acabou sendo adotado como o material balístico padrão por muitos anos. Várias versões do Kevlar foram usadas desde então, entre elas, o Kevlar®29, o Kevlar®129, o Kevlar®Correctional (que protege também contra facas e estiletes) e, por último, em 96, o Kevlar®Protera.

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Colete antibalístico, formado pelos painéis balísticos e pela capa do colete.

A Allied Signal, outra empresa americana, fabricou uma fibra de polietileno ultra fina e resistente, batizada de Spectra, que deu origem ao material denominado Spectra®Shield (shield significa escudo, em inglês). A mesma Allied Signal desenvolveu também um material derivado de aramida, chamado de Gold Shield®. Outros derivados surgiram, como Gold Shield® LCR e Gold-Flex®.

Outro derivado de fibra de aramida foi desenvolvido por Akzo Nobel, e denominado Twaron®, bem como das Netherlands surgiu o Dyneema®. De propriedades similares, estes materiais apresentam sutis diferenças de peso, cor, flexibilidade e custo. É importante saber que estes materiais não são utilizados somente na confecção de coletes a prova de balas, mas também em capacetes, cordas, roupas, na aeronáutica e outros.

Como Funciona

No fabrico de proteção balística rígida, os materiais são moldados através de resinas, dando forma aos capacetes, escudos, joelheiras e caneleiras. Uma placa balística flexível é confeccionada sobrepondo-se camadas de material balístico e outros materiais, dependendo do efeito desejado. Essas camadas são costuradas firmemente umas às outras. Depois esta placa, ou painel balístico, é inserido dentro de uma capa, feita de tecido comum de acordo com o padrão de uniforme da instituição específica.

Basicamente, os diversos materiais balísticos atuam da mesma forma. Quando o projétil se choca contra a veste, ele é pego em uma rede de fios finos e resistentes, que freiam o movimento giratório do projétil e fazem-no se deformar. Assim, além de impedir a penetração, a veste ainda distribui a força do impacto por uma área bem maior, anulando, ou melhor, diminuindo os efeitos da transferência de força cinética para o corpo. Para ter efeito contra os calibres de grandes velocidades, como o 7.62mm, o 5.56mm e o 30-06, é necessário reforçar a veste com uma placa rígida que distribui melhor o impacto, geralmente confeccionada em cerâmica.

Placas balísticas e em detalhe estão as camadas de fibras. Quanto maior o nível de proteção, maior a quantidade de camadas.

Placas balísticas e em detalhe estão as camadas de fibras. Quanto maior o nível de proteção, maior a quantidade de camadas.

Encontramos no Blog ABORDAGEM POLICIAL duas teorias muito interessantes para explicar sobre o funcionamento dos coletes antibalísticos, o Princípio da Bola de Futebol e o Princípio do Carro de Formula 1.

Princípio da Bola de Futebol

Imagine uma bola de futebol indo em direção à rede da trave. A rede, aqui, representa nossa fibra antibalística, a bola, o projétil que foi disparado por uma arma de fogo. Assim que a bola (projétil) entra em contato com a rede do gol a energia contida no movimento da bola é transferida para a rede. Percebam que isso não é feito de maneira muito localizada, já que quase todas as linhas da rede recebem parte da energia, por isso se movimentam.

FIBRA

A fibra de um colete exerce a mesma função da rede do gol, ela absorve a energia contida no projétil e dispersa para toda a sua área. Caso isso não ocorresse o impacto localizado se efetivaria e a lesão no indivíduo seria inevitável, mesmo sem a perfuração da placa balística. É esse poder de dispersão que faz um colete eficiente. Apesar de haver substancial diferença na densidade das fibras de um colete em comparação com uma rede de futebol, o princípio utilizado é o mesmo.

Princípio do Carro de Formula 1

A aerodinâmica de um carro de Fórmula 1 é algo fenomenal, cada estrutura do automóvel é projetada para seu objetivo principal, atingir a maior velocidade possível. O que ocorreria se substituíssemos a lataria de um carro de Fórmula 1, pela lataria de um fusca por exemplo, mesmo mantendo seu motor? Certamente, a velocidade alcançada seria bem menor, mesmo que ignorássemos o peso das duas latarias. Se os projéteis das armas de fogo fossem dispostos nos cartuchos de maneira inversa ao correto, isto é, com a ponta do projétil para dentro do estojo e a base para fora, com certeza o poder de transfixação da munição seria afetado.

Os coletes antibalísticos fazem justamente isso, eles deformam os projéteis para que eles se tornem “fuscas”, mesmo que seus motores (armas de fogo) sejam os melhores possíveis. Quanto mais deformado estiver o projétil, menos perfurante ele ficará e mais fácil sua energia se dissipará na estrutura do colete.

Níveis de Proteção

Os níveis de proteção das vestes balísticas são definidos pela NIJ Standard 0101.04. Esta norma, editada pelo National Institute of Justice, um departamento do Ministério da Defesa dos Estados Unidos, foi aceita internacionalmente como um padrão de níveis de proteção balística. Veja a tabela:

A tabela acima foi simplificada, pois ainda são considerados: o tipo de projétil, o ângulo dos impactos, a incidência de impactos por cm², a resistência à umidade e o tamanho do cano, dentre outros.

Os materiais balísticos, na forma dos coletes, não protegem somente contra projéteis. São inúmeros os casos de policiais que sobreviveram a acidentes de trânsito graças aos coletes balísticos. Determinados materiais protegem também contra instrumentos perfurantes, como é o caso do Kevlar®Correctional, usado por carcereiros nas penitenciárias americanas.

Capacete e placas balísticas.

Capacete e placas balísticas.

Outro ponto importante a ser observado é a deformação do colete diante de um impacto, isto é, a proteção oferecida contra o trauma fechado, pois este pode ocasionar ferimentos como fratura de costelas e rompimento de órgãos internos. Os testes são feitos efetuando-se disparos contra uma placa balística colocada sobre plastilina, uma massa de consistência semelhante ao corpo humano. Os coletes de nível III acima necessitam do reforço das placas de cerâmica para redução do trauma fechado.

Já que nós falamos sobre o Trauma Fechado vou postar esse vídeo onde um “vida loka” pede para outro da mesma classe atirar nele, para que eles pudessem testar o colete que usava. Suponho que o calibre deva ser 9mm, pois o vídeo é dos EUA e esse é um calibre muito comum naquele país. Imagine então o trauma que um .357MAG ou 7.62mm pode causar!! Por isso que um produto de qualidade e novas tecnologias são importantes, para desenvolver novos materiais que possam minimizar esse trauma pós disparo. Veja o vídeo, mas não faça em casa!

Infelizmente não conseguimos maiores informações sobre esse vídeo, nem qual o material exato que é usado no colete antibalístico deste teste. Decidimos postá-lo pois ele ilustra bem o que um colete antibalístico de qualidade pode oferecer, mesmo recebendo disparos de fuzil ele não transfere a energia para o usuário, evitando assim traumas fechados e permitindo que ele continue operando, o que é de suma importância em uma ação real de confronto armado.

Vamos ver o vídeo:

Alguns pontos devem ser observados na escolha do modelo e configuração do colete:

– A abertura do pescoço não pode ser muito alta, nem a placa frontal muito longa, para não enforcar o policial ao sentar;

– As alças do ombro devem ser largas, mas não o bastante para restringir os movimentos;

– Os furos do pescoço e braços devem ser amplos, para garantir flexibilidade e conforto, sem contudo comprometer a proteção;

– As placas devem ser ajustáveis, para que o colete não se deforme ou surjam espaços vazios entre os painéis. As placas frontal e traseira devem se sobrepor;

– Para mulheres, a placa frontal deve considerar o volume dos seios, para manter o conforto;

– O peso deve ser o menor possível.

Quanto mais pesado for o colete, mais incomodo irá causar, não é sensato adotar um colete nível IV para toda a força policial. Afinal, um policial empregado no policiamento a pé não conseguiria usar por seis horas um colete que pesa em torno de dez quilos.

Colete com o Sistema Molle.

Colete com o Sistema Molle.

Essa relação peso/conforto ou desconforto é muito importante e deve ser considerada. Eu sou do tempo dos primeiros coletes antibalísticos, que eram feitos de cerâmica, parecíamos tartarugas andando de viatura pela cidade, pois a cerâmica, mesmo sendo bem eficiente, não era flexível e justamente por esse detalhe que ela foi substituída. Outro peso pesado de ser usado é o colete Nível III e Nível IV, que vem com uma placa metálica ou outro material balístico rígido sobre as placas flexíveis, pois estes são projetados para segurarem disparos de 5.56mm, 7.62mm e 30-06. Geralmente são usados por tropas militares em campo de batalha e são realmente necessários, mais são extremamente pesados. Já tive a oportunidade de usar um Nível III e eu vou te contar é pesado!!!

A maneira mais científica de se selecionar o nível de proteção apropriado é a análise estatística das ocorrências envolvendo armas de fogo. Apesar de não dispormos de dados concretos, pois nossas polícias não fazem estatísticas, poderíamos afirmar que a grande maioria dos disparos sofridos por policiais é de calibre .38 ou inferior, portanto, o nível apropriado seria o II, para uma guarnição de radiopatrulhamento.

Outra forma, menos científica porém coerente, é determinar o nível de proteção pela arma que o próprio policial está usando. Isto porque a arma de porte indica o que o policial espera encontrar pela frente, além do que o número de policiais mortos pela própria arma é relevante: nos EUA, o percentual chega a 16%. Olhando desta forma, a escolha do nível II para o radiopatrulhamento se confirma, enquanto que para um grupo especial cuja arma básica é um fuzil calibre 7.62mm, o nível III seria o mais indicado.

Colete de sistema flutuante, nível IIIA, com proteção para braços e área pubiana.

Colete de sistema flutuante, nível IIIA, com proteção para pescoço, braços e área pubiana.

Quarto do Pânico

Aproveitamos a tabela apresentada acima para mostrar-lhes outra, apenas a título ilustrativo, que trata dos níveis de blindagem usados em Quartos do Pânicos, estes tem por objetivo proporcionar alta segurança para proteção coletiva.

O Quarto do Pânico protege contra ampla gama de ameaças, incluindo arrombamento, assaltos, penetração, incêndios, disparos de armas como as que usam os calibres 5.56mm e o 7.62mm, alterações climáticas e químicas.

O maior objetivo para a implementação do Quarto do Pânico é proporcionar a proteção familiar ou coletiva durante o tempo de espera pelo socorro policial. Para as pessoas que procuram ter um ambiente blindado em propriedades rurais, como fazendas ou locais distantes onde o socorro é mais demorado, esta proteção é a mais indicada.

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Cuidados com o Colete Antibalístico

As capas dos coletes balísticos podem ser lavadas como uma roupa comum. É conveniente não usar alvejantes nem secar ao sol, para não desbotar. As placas podem ser lavadas com um pano ou esponja úmida e detergente, mas nunca submersas em água. Solventes ou produtos à base de álcool jamais poderão ser usados. A secagem deve ser à sombra. Os painéis devem ser inspecionados visualmente objetivando identificar qualquer ofensa a sua integridade, não devendo ser utilizados aqueles já atingidos por projéteis antes de prévio contato com o fabricante para que seja providenciado o devido reparo.

Lembre-se que o material balístico é como um tecido: ele se desgasta, relaxa, afrouxa as malhas e envelhece. Se bem cuidado, um colete excede em muito tempo o seu prazo de validade normal, especificado pelo fabricante. É o cuidado na manutenção que dita a validade do colete. A DuPont já testou coletes com mais de oito anos de serviço e constatou que eles mantinham as mesmas características originais. Por outro lado, coletes com dois anos de serviço mostraram-se inservíveis por falta de cuidado. O ideal, portanto, é retestar os coletes depois de três a cinco anos de uso.

Ainda sobre a capa que reveste o colete, ela preferencialmente deve ser impermeável, pois a umidade é um grane agente danificador do material e cada pessoa tem um suor diferente, por este motivo a capa deve ser individual. Vale lembrar ainda, que os coletes que já foram alvejados ou que sofreram algum tipo de perfuração, não devem ser mais usados. É necessário que o fabricante avalie os estragos internos para possíveis reparações ou ratificar a inutilização plena do equipamento, o que é mais comum acontecer. O colote nunca deve ser deixado sobre os bancos da viatura, expostos diretamente ao sol ou em lugares muito úmidos. Não estique em excesso as correias de velcro, pois isto retirará a sua capacidade de estiramento e nunca ser guardado enquanto está úmido em conseqüência de uma lavagem ou da transpiração, a fim de evitar o aparecimento de mofo.

Esses são alguns projéteis após serem disparados contra um colete antibalístico.

Esses são alguns projéteis após serem disparados contra um colete antibalístico.

Como já falamos a DuPont descobriu seu material balístico por engano e mais que sabiamente patenteou seu domínio. Se buscarmos o site da DuPont vamos encontrar uma variações de uso do Kevlar bem extensa. O Kevlar é uma fibra derivada do Nylon e é cinco vezes mais resistente que o aço é pode ser encontrado além das típicas proteções balísticas (colete, capacetes e automobilísticas civil e militares), também em materiais esportivos de alta performance, luvas, cabos, pneus e mangueiras automotivas, cabos ópticos, aplicações aeroespaciais, dentre outros materiais.

A DuPont possui ainda produtos como o Nomex, que é uma solução da empresa para a exposição a altas temperaturas e ao fogo, com algumas vantagens:

  • Não continuam a queimar quando a chama é extinguida nem derretem;
  • Não geram vapores tóxicos nem irritantes quando expostas a calor e chamas;
  • São resistentes a um grande número de produtos químicos;
  • São resistentes a abrasão e a desgaste para uma vida útil longa;
  • São confortáveis devido ao transporte de umidade ao longo da fibra por ação capilar.

A exemplo de pesquisas a nível nacional sobre proteção balística, temos este vídeo que mostra uma pesquisa para desenvolver uma proteção ecologicamente correta, econômica e reaproveitável, caso ela receba disparos. A proteção  balística é feita a partir de sobras industriais e trás uma nova possibilidade muito criativa. É o Brasil mostrando sua capacidade inventiva!!

Para falar que nunca publicamos nada em nosso Blog a respeito de proteção balística antes, há uma publicação breve que mostra um teste balístico de um vidro para automóveis, onde o dono da fábrica se faz de cobaia do próprio produto como forma de garantir o material que fabrica. É um teste nada ortodoxo e não indico a ninguém fazê-lo. Para saber mais clica ai: AK 47 X VIDRO BALÍSTICO.

Já sabemos que os coletes balísticos vem com uma capa de proteção de fábrica, mas é muito comum na atividade policial colocar as placas balísticas em capas táticas, que vem com vários tipos de embalagens para vários tipos de equipamentos e armamentos como porta carregadores, coldres, porta algema e uma infinidade de combinações que se pode usar nessas capas táticas. Existe uma afirmação que não se pode carregar nenhum tipo de objeto nessas capas, principalmente na parte frontal, abaixo do rosto do operador, pois poderá haver ricochete da munição ou projeção de estilhaços no corpo daquele que estiver usando o colete, caso se receba um disparo de arma de fogo. Alguns ainda dizem que se o objeto a ser atingido pelo disparo for um carregador de arma de fogo ai a desgraça seria ainda maior, pois o impacto recebido deflagraria as munições que estavam dentro do carregador.

Essa é uma máscara balística usada pelas forças especiais tailandesas, nível IIIA.

Essa é uma máscara balística usada pelas forças especiais tailandesas, nível IIIA.

Bem, não encontrei nenhum estudo, matéria ou postagem em alguma fonte que confirmasse ou negasse essas afirmações e nem tão pouco alguma publicação que possa dar base ao que vou expor agora. O costume nos é uma grande fonte de sabedoria, de forma que o nosso Direito nacional se funda nele e observando grandes exércitos que estão inclusive em guerra e também outras policias do mundo, percebemos que todos usam equipamentos afixados em seus coletes balísticos de todas as formas possíveis, pois hoje em dia os coletes são modulares e podem atender as diversas necessidades e vontades de seu usuário. Se fosse realmente perigoso colocar alguma coisa presa ao colete, por receio de ricochete ou de estilhaços, com certeza alguém já teria dado o grito e essas forças militares e policiais já teriam abolido essa prática.

Esse sistema modular usado nas capas dos coletes, na verdade se chama Sistema Molle, que traduzindo para o português temos: Sistema Modular de Transporte Leve. Neste vídeo a frente temos uma ótima explicação desse super prático sistema para carregar equipamentos:

Particularmente acho muito improvável essa possibilidade exposta acima de algum ricochete ou estilhaço atingir o operador e se baseando nela, que é algo difícil de ocorrer, perdemos uma vantagem muito grande, a capacidade de se carregar quase tudo que necessita um guerreiro no corpo do próprio colete, onde podemos levar munição e uma série de equipamentos necessários para nossa função. Acho que não podemos perder essa “portabilidade” super prática por causa de suposições. É através da observação que podemos criar o pensamento científico e a observação de forças bélicas bem mais desenvolvidas que a nossa nos leva a concluir que não há perigo algum em colocar equipamentos nas capas de nossos coletes, pelo contrário, nos resolve muita coisa no fronte de batalha.

Mas, faz-se necessário dizer que os coletes antibalísticos, em regra, não são “anti corte”. Se um desses objetos estilhaçados tiverem forma cortante ou perfurante, existe sim a probabilidade das placas serem transfixadas, a não ser que o colete seja antibalístico e também a prova de objetos perfuro contusos. Mas repetindo, o que EU acho, que isso é uma hipótese muito remota, assim, recomendo e uso equipamentos e carregadores nas capas táticas.

Reciclagem

Uma novidade para o setor é que esses coletes que já não podem ser mais usados para a proteção, agora poderão ser reciclados. Esse processo barateia os custos, pois não há o desperdício de material e de quebra contribui com a natureza, que não vai absorver esse montante de resíduos. O aproveitamento será a partir da extração da aramida para produção de polpas de Kevlar. A empresa DuPont, pioneira no reaproveitamento desse tipo de material, afirma que a principal aplicação das polpas será na indústria automotiva, mais especificamente na fabricação de pastilhas de freio. O Kevlar irá substituir o amianto, melhorando o coeficiente de fricção e reduzindo o desgaste do material.

E antes de passarmos para outros materiais usados como proteção balística, vamos apresentar um vídeo que ilustra bem o que acontece com o projétil e com a energia que ele transmite ao tocar um colete antibalístico. Infelizmente ele está em inglês, mas as imagens falam por si só e já adianto, quem vê-lo até o final com certeza acabará com qualquer dúvida sobre coletes antibalístico, o vídeo é muito bom!!!

Mas materiais com o Spectra e o Kevlar, que são os mais conhecidos atualmente, já tem o dias contados, pois se pensarmos em usar esses materiais em níveis maiores de proteção, eles são muito pesados, de maneira a se tornarem inviáveis para o uso pessoal. Vários estudos e novidades vem pela frente e iremos ver alguns deles, como por exemplo o Dragon Skin Body Armor, que tem a capacidade de segurar estilhaços de granadas antipessoal, mas estes novos materiais serão tema da nossa próxima postagem, onde veremos o que vem por ai como novidade!!

Pra finalizar quero colocar um vídeo do FPS Russian, que é um dos meus canais de vídeo preferido, pois ele faz um teste balístico que vai desde um .38 SPL, passando pelo .500 S&W Magnum e termina com um disparo de .50 BMG num colete da AR500 Body Armor, que é uma fábrica americana que produz placas balísticas para vários níveis, incluindo o nível IV.

Se você gostou de nossa postagem compartilhe com seus irmãos e irmãs de armas e se você souber de alguma novidade que possa nos ajudar na nossa próxima publicação, como por exemplo o LÍQUIDO BALÍSTICO, que será assunto também do próximo post, mande uma mensagem, participe conosco!!

TKS DOBRADO!!!

disco

Fontes:

– http://www.bunkerbr.com/blinda_estrutura.html;

– http://www.ar500armor.com/ar500-armor-body-armor.html;

– http://www.selfdefense.com.br/site/;

– http://pt.wikipedia.org/wiki/Kevlar;

– http://info-vig.blogspot.com.br/2013/09/coletes-prova-de-balas-e-capas.html;

– http://www.megacurioso.com.br/trajes-e-armaduras/39696-forcas-especiais-taiwanesas-ganham-traje-aterrorizante.htm

– http://www.dupont.com.br/produtos-e-servicos/tecidos-fibras-e-nao-tecidos/fibras/marcas/kevlar.html;

– http://abordagempolicial.com/2010/02/especial-armas-de-fogo-o-colete-balistico/.

ESPINGARDA MOSSBERG 930 SPX

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No dia 24 de abril tive a oportunidade de testar uma espingarda Gauge 12 de uma renomada fábrica de armas de fogo, a Mossberg. A arma em questão foi a espingarda 930 SPX e mais a frente vamos falar das conclusões conseguidas desse teste. Mas primeiro quero situá-los sobre essa famosa fábrica de armas.

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A Mossberg & Sons, mais conhecida apenas como Mossberg, é um fabricante americano de armas de fogo especializada em espingardas, rifles, miras ópticas e acessórios para armas em geral. A partir de 1940 até os anos 1960, ele também produziu rifles esportivos no calibre .22.

Oscar Frederick Mossberg, natural da Suécia, chegou aos Estados Unidos em 1886. Trabalhou na fábrica de bicicletas de Iver Johnson, nativo da Noruega, que se tornou famoso por causa dos revólveres que produzia. Juntamente com seus dois filhos Iver e Harold, O.F. Mossberg fundou a O.F. Mossberg and Sons em 1919 e neste mesmo ano começou a produção de armas de fogo, como as pistolas e rifles de calibre .22, espingardas e miras ópticas para rifles, gerando um período de diversificação no mercado de artigos esportivos.

Espingarda da Mossberg e alguns equipamentos cambiáveis.

Espingarda da Mossberg e alguns equipamentos cambiáveis.

A Mossberg produziu suportes para armas, tacos de golfe e outros artigos, mas sempre mantendo o negócio de armas de caça como o principal. Sempre se mantiveram como uma empresa familiar e assim são até hoje, a Mossberg é o mais antigo fabricante de armas de fogo de propriedade familiar na América.

Quando Mossberg deixou Iver Johnson, ele passou a gerenciar a pequena fábrica do CS Shattuck Arms Co. na cidade vizinha de Hatfield, Massachusetts. De lá, ele foi trabalhar para Stevens e finalmente para New Haven. Em 1919, quando Marlin Rockwell saiu do negócio (eles fizeram principalmente metralhadoras para a Primeira Guerra Mundial), o desempregado de 53 anos de idade e seus dois filhos começaram então uma nova empresa de armas de fogo por sua conta e risco e hoje a Mossberg é mundialmente reconhecida pela qualidade de suas armas.

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Sobre a espingarda que foi submetida ao teste, a Mossberg 930 SPX, que usa o Gauge 12, ela é uma espingarda semiautomática, o que significa que parte dos gases produzidos são usados ​​para empurrar um pistão à retaguarda, ejetando o cartucho deflagrado e automaticamente carrega um novo cartucho. Essa ação dos gases reduz o recuo da arma sentido pelo atirador. Como outras espingardas da Mossberg, esta arma tem trava de segurança ambidestra, que está localizada na parte traseira do receptor. A Mossberg 930 pode ser equipada com vários acessórios como coletores de cartuchos, trilhos Picatinny, compensadores especiais e bocais para rompimento de portas dentre outros.

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Mossberg Série 500.

A variedade de espingardas fabricadas pela Mossberg é tamanha que existe inclusive uma linha Menos que Letal, como esse modelo a frente que lança cartuchos Taser e ainda pode ser acoplada uma pistola Taser no trilho da espingarda.

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tesar mossberg

Essa espingarda da Mossberg chegou ao Brasil através da CBC que fez a importação para nosso país e está percorrendo todos os Estados do Brasil fazendo a demonstração do armamento por meio de seus representantes. Aqui no Estado de Goiás, de início os representantes explanaram as características da espingarda, suas qualidades de emprego para a atividade policial, além das já sabidamente proporcionadas pelo Gauge 12, que é excelente para atividade policial.

Espingarda Mossberg 930 SPX que foi submetida ao teste.

Espingarda Mossberg 930 SPX que foi submetida ao teste.

A espingarda Gauge 12 é um tipo de arma perfeito para fins policiais por causa da sua versatilidade e flexibilidade. Pode-se atirar com quase tudo nesse tipo de espingarda, quase tudo mesmo!! Existe um vídeo maluco no YouTube onde o atirador usa palitos de dentes, anzóis e escovas de dentes, dentre outros objetos, como projétil, que alcançam o alvo e chegam até a transfixa-los.

Essa versatilidade para a atividade policial nos possibilita usar vários tipos de cartucho como o SG,  3T ou balotes, dentre outros. Podemos usa-la para lançar material químico ou munições Menos que Letal. E quando empunhamos uma espingarda 12 frente a um agressor um pouco mais exaltado, ao ver o tamanho do buraco do cano na sua cara, ele logo desanima.

Mas vamos ao que interessa, os teste da máquina. Após a explanação dos técnicos da CBC, fizemos nossas colocações e pontuamos algumas observações sobre as espingardas que a CBC fabrica, que diga-se de passagem, são de péssima qualidade. Houve uma instrução de Gauge 12 que eu ministrei onde haviam 10 espingardas CBC. Cerca de 75 disparos seriam feitos por cada aluno, digo seriam pois, todas espingardas quebraram. Repito, das dez espingardas que estavam sendo usadas, todas elas quebraram. A maioria delas foi o extrator que quebrou e uma delas o percursor.

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Massa de Mira com fibra ótica.

Como confiar nas armas da CBC para o uso policial ou para outro fim? Em situações de treino podemos usar, quebrar, trocar, consertar. Mas em confrontos armados não há chances para erros. Do outro lado há também uma arma de fogo atirando contra você, não podemos usar armas e equipamentos que não respondem ou não funcionam em situações de risco. Aproveitamos que os representantes da CBC estavam lá e expomos nossa insatisfação com as espingardas da CBC para eles, que ficaram surpresos, como se estivéssemos contando uma novidade para eles!

A Mossberg 930 SPX é uma espingarda de fácil manuseio e desmontagem e montagem simples. A CBC, que é a importadora da espingarda, faz a assistência técnica e sustenta garantia de 12 meses para problemas de funcionamento e 5 anos para peças de reposição do produto. A espingarda chegará aqui no Brasil no valor de mercado de R$ 3.800,00 ou algo próximo disso.

Alça de Mira e suas regulagens laterais e de altura.

Para o uso policial é interessante que a espingarda tenha coronha rebatível ou dobrável, pois isso a torna mais compacta e melhora o seu porte, seja em viaturas, motocicletas ou desembarcado, porém, esse modelo, o 930 SPX, não possui coronha rebatida e não há como colocar, pois a mola recuperadora da espingarda passa por toda coronha. Mas a Mossberg possui outros modelos que tem esse tipo de coronha.

Como a espingarda estava sendo testada, falamos de alguns acessórios ou características que seriam interessantes que ela tivesse, como a coronha rebatível, trilhos picatinny para colocação de lanternas e zarelhos para a fixação de bandoleiras, pois o modelo apresentado não possuía esses itens. Também era necessário fazer um teste de exaustão na arma para se ter certeza de sua durabilidade.

Esse vídeo editado pelo nosso amigo Cabo Fernando mostra um pouco como foi o teste espingarda:

A Mossberg possui uma coronha de polímero com um amortecedor em borracha, item que ajuda muito a aliviar o recuo da espingarda, que já adianto, não é forte. Ela possibilita fazer disparos rápidos com aproveitamento e com reenquadramento da visada de maneira fácil. A 930 tem um cano de 19 polegadas e a dispersão dos disparos é geralmente de uma polegada por metro.

Um defeito que ela tem é a localização da alavanca de manejo, que fica no lado direito da arma, que para o uso tático não é bom, pois é necessário desfazer a empunhadura para poder dar o golpe de segurança ou torcer o braço de maneira desconfortável. O choque do cano é o cilíndrico, sendo este o mais indicado para o uso policial e a espingarda possui um indicador de câmara carregada muito didático, pois é facilmente visualizado.

Disparo com balote CBC a 30m.

Disparo com balote CBC a 30m.

Disparo com cartucho SG CBC a 30 metros.

Disparo com cartucho SG CBC a 30 metros.

Foram executados cerca de 375 disparos com cartuchos 3T e SG e balotes da CBC, das 14 as 17 horas e apenas uma pane de extração ocorreu, mas deixando claro que essa pane aconteceu quando foi usado o cartucho da CBC TCT de 55mm, que segundo os representantes da CBC não é um de cartucho apropriado para a Mossberg, pois a queima da pólvora não produz gases suficientes para que a arma funcione bem. Mesmo assim vários desses cartuchos foram usados na espingarda, mas apenas um deles não foi extraído da maneira correta.

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Um inconveniente dessa espingarda é que pelo fato dela ser de funcionamento semiautomático, quando usamos munições Menos que Letais como elastômeros ou munições de gás lacrimogênio (GL 101 e GL 102) ela não cicla, ou seja, não extrai a munição da câmara, pois essas munições Menos que Letais não produzem gases suficientes para que ela funcione de maneira plena.

Os disparos foram feitos a 30 metros e os resultados foram muito bons. A espingarda possui uma boa ciclagem, o reenquadramento dos disparos é rápido e fácil por causa do peso da arma e a cadência dos disparos é bem consistente. Os cartuchos ejetados pela arma ficam bem agrupados. Quando usamos balotes a precisão da arma é excelente, acertando exatamente onde foi feito a visada.

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Alguns detalhes foram apontados e solicitados aos representantes da CBC/Mossberg após feitos os disparos, como por exemplo a colocação de um limitador na retaguarda da janela de ejeção que impediria o atirador de colocar a mão acidentalmente dentro do orifício evitando a ocorrência de acidentes. Outro ponto interessante é que a espingarda, quando com o ferrolho aberto, não desarma ao batermos a sua coronha ao solo, o que acontece com a maioria das armas longas.

A tabela a frente trás alguns dados técnicos sobre a espingarda:

Gauge 12
Câmara 3″
Capacidade 8
Cano 18.5″
Mira Ghost Ring e fibra Ótica
Chok Cilíndrico
Comprimento total 38″

Fizemos Também alguns disparos com a Mossberg Maverick Pump Action. É uma espingarda compacta, rústica e muito robusta. O golpe de segurança da arma é macio por causa do bom acabamento dos trilhos. Porém o recuo da espingarda é muito forte e é preciso fazer uma boa base com as pernas e com os braços para fazer disparos seguidos. A Maverick é uma das espingardas mais vendidas dos EUA e é a mais mais simples das espingardas da Mossberg.

De cima para baixo: espingarda CBC, Mossberg 930 SPX e Mossberg Maverick.

 Participaram desse teste da Mossberg os técnicos convidados da PMGO e da PCGO e após a explanação dos representantes da CBC/Mossberg, a exposições dos técnicos das Corporações e finalmente após os disparos com cartuchos 3T, SG, balote TCT de 55mme, todos da CBC, chegamos a conclusão que a espingarda necessita de algumas pequenas adaptações para a atividade policial, mas nada que possa comprometer o bom nome que esse fabricante trás ao longo de sua história.

A Espingarda Mossberg 930 SPX atende aos propósitos a que se propõe que é o de ser uma espingarda versátil, robusta, de simples manuseio e acima de tudo confiável para essa atividade tão imprevista e perigosa que é a de ser um policial, seja de qualquer força, em nosso país chamado Brasil, a terra de ninguém.

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INSTRUÇÃO DE TIRO COM O CURSO DE OFICIAIS DA SAUDE

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Vários amigos e seguidores sempre pediram para que eu contasse como era a experiência de ser um professor de tiro, atividade que faço desde desde 2002, como professor da PMGO, ano que me formei no Curso de Instrutor de Tiro (CIT). Na PMGO, para que você possa ministrar aulas de tiro ou de Uso Seletivo da Força (USF) é requisito obrigatório que você seja possuidor deste curso.

Decidi então escrever sobre a trajetória de um curso para atender ao pedido de nossos seguidores e amigos e também pois os alunos da turma em questão eram um público um pouco diferentes do que sempre lido, são psicólogos, dentistas e médicos. E finalmente pois esse curso, o Curso de Oficiais da Saúde (COS) foi o que eu consegui o melhor percurso didático de todos os cursos que já ministrei na minha trajetória como professor de tiro. Eles tiveram a parte teórica com o armamento, fizeram instruções de Paintball, depois o tiro virtual em estande de tiro virtual e então a instrução de tiro propriamente dita, que ao final uma prova foi aplicada, onde se conseguiu além da nota necessária para ser aprovado no COS, o conceito final de HABILITADO ou NÃO HABILITADO para o uso de pistolas ação dupla, homologado pela PMGO.

Alunos do Curso de Oficiais da Saúde da PMGO

Alunos do Curso de Oficiais da Saúde da PMGO

Os alunos do COS foram admitidos na PMGO através de concurso público para desenvolverem atividades inerentes a sua profissão, no caso psicólogos, médicos e dentistas, que irão atender policiais militares (PPMM) em suas demandas de saúde. Eles ingressam na carreira policial militar como um militar do Estado, já no posto de Segundo Tenente e como qualquer policial militar eles possuem poder de polícia e porte de arma, mesmo que não sejam destinados a trabalhar na atividade fim, eles tem as mesmas prerrogativas de um policial militar, pois assim o são, policiais militares.

O curso de formação tem duração de três meses e dentre outras disciplinas a grade curricular contempla Ordem Unida, Legislação Institucional, Direito Penal Militar, Direitos Humanos, Redação Oficial e Uso Seletivo da Força. Nessa disciplina, da qual fui professor, é que os alunos aprendem a manusear armas de fogo e a atirar com elas. Também me auxiliaram os professores a Tenente Jane, Capitão Leonardo e Tenente Martins, nessa ordem.

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A carga horária inicial da disciplina era de 30 horas/aula, mas em consequências de fatores externos e novidades que gradualmente temos incluído na grade curricular, gastamos 58 tempos no total para habilitar todos os alunos.

Iniciamos as aulas com a parte de manuseio do armamento, desmontagem de primeiro escalão, saneamento de panes, manutenção do armamento, fundamentos do tiro, condução do armamento, tiro duplo, tiro barricado e tiro em movimento. Nesse estágio aconteceram apenas treinamentos a seco, preparando para as próximas etapas da disciplina.

A nota final da disciplina é conseguida com a média simples da prova de manuseio e da prova de tiro. Nessa parte os alunos fizeram a prova de manuseio que é uma prova prática, onde critérios objetivos são avaliados, mensurados e lançados em uma súmula e ao final o aluno assina a prova, dando seu aceite.

Esse é o modelo da prova de manuseio. Esses alunos conseguiram a nota máxima.

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Essas fotos mostram alguns alunos durante a realização da prova.

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Na medida em que os procedimentos são feitos, são lançados na Súmula, começando com uma desmontagem de primeiro escalão da pistola, resolução de panes, realização de recargas com o armamentos e a ultima parte para comprovar o manuseio do armamento. Todos os alunos se saíram muito bem na prova e ficaram aptos para as próximas etapas.

Antes dos disparos com as armas de fogo os alunos fizeram uma instrução de Paintball, que ao meu ver é sempre muito proveitosa. O Paintball ajuda ao aluno a apreender o manuseio da arma de fogo, começar a ter noções sobre a visada do armamento, noções de enfrentamento com arma de fogo e adentramentos táticos.

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Na primeira parte da instrução de paintball, realizou-se tiros estáticos onde pudemos fazer algumas correções no que diz respeito à condução do armamento, postura, empunhadura, visada e controle da tecla do gatilho, dentre outros fundamentos.

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O segundo exercício foi o tiro barricado para os dois lados nas posições em pé, ajoelhado e deitado. O tiro barricado é muito importante para a atividade policial, pois dá ao operador a possibilidade de efetuar disparos com segurança, lançando mão dos obstáculos naturais que encontra no teatro de operações.

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O terceiro exercício da instrução, simulou a entrada de um time tático em ambiente fechado, onde um agressor armado teria que ser localizado e se apresentasse resistência, ela deveria ser anulada. A equipe tática era formada pelos alunos do COS e o agressor homiziado era o professor, no caso eu mesmo.

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O professor ao centro com os alunos do primeiro time tático a realizarem o exercício.

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Antes da entrada no ambiente do exercício os alunos “aqueciam o sangue” com alguns exercícios de vivacidade!!!

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 E faziam poses!!!

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No ambiente haviam vários cômodos interligados, com um túnel dividindo a “casa”, as técnicas de adentramento e de progressão deviam ser usadas e aprimoradas. Após essa etapa, montamos times de alunos, três contra três, onde o objetivo era atingir o inimigo. Três alunos ficaram dentro da casa, já escondidos e outros deveriam fazer o papel de PPMM adentrando a um local de crime já constatado e deveriam anular as resistências encontradas, se houvessem.

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Os vídeos a frente mostram alguns dos exercícios realizados.

 

E a ultima etapa da instrução foi um jogo de paintball, adaptado as necessidades policiais, foi um combate entre duas equipes em ambiente rural onde o objetivo era tomar a base do inimigo.

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O maior diferencial de nossas instruções que usam o Paintball do jogo de Paintball como prática esportiva é que as bolinhas são contadas, 20 ou 30 para cada aluno, pois na atuação policial não temos a mesma quantidade de bolinhas que se usam nos jogos de Paintball nos clubes a fora, onde um jogador pode levar o máximo de “munição” que puder.

Esse vídeo mostra uma das partidas de Paintball dos alunos:

 

Terminada essa importante etapa que foi o Paintball, fomos para a Academia da Polícia Civil onde tivemos a oportunidade de usar o Stand de Tiro Virtual, que é uma ferramenta muito importante no percurso de aprendizagem do tiro. No tiro virtual pode-se programar vários tipos de exercícios, desde alvos estáticos, silhuetas humanoides, gongos metálicos e até mesmo cenários com vários agressores.

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Esses três vídeos mostram a aplicação das técnicas do Tiro Duplo e do tiro em movimento, já usando o o tiro instintivo ou semi-visado, que o ideal para a atividade policial.

 

 

 

As armas são as mesmas usadas na atividade policial, aqui estávamos usando PT 100 da TAURUS, porém, sem munições e com um sensor na ponta que envia sinais para um computador a cada disparo feito. Ele sente a vibração da arma em decorrência do disparo feito a seco, calculando a posição da arma em relação à tela que está a frente. É como se fosse um grande vídeo game, com um preço mais salgado, cerca de um milhão de reais. Os tiros são feitos em ação dupla, pois não há a ciclagem da arma em decorrência do disparo, o que torna o tiro virtual cansativo para o aluno.

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Nessa fase tentamos simular os mesmos exercícios que seriam aplicados na próxima etapa, os exercícios de tiro real, a aplicação da prova e a obtenção do grau HABILITADO ou NÃO HABILITADO para o uso de pistolas .40. Assim iniciamos com os disparos de assimilação, onde fizemos a conferência dos aprendizados anteriores no que diz respeito aos cinco fundamentos do tiro: postura, empunhadura, visada, respiração e controle da tecla do gatilho.

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A próxima etapa foi o tiro barricado em pé, ajoelhado e deitado. Esse tipo de tiro é muito importante para a atividade policial, pois o operador de segurança deve procurar abrigar-se sempre e também deve saber usar esse abrigo a seu favor, valendo-se das técnicas corretas. Esse tipo de tiro é muito trabalhado no Método Girald.

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Foram também explorados o tiro duplo, tiro em movimento e o tiro instintivo. Essa ferramenta virtual de tiro é muito válida para o aprendizado, pois possibilita vários tipos de exercícios e a simulação de inúmeras situações.

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Neste exercício temos figuras a frente que simulam alvos atiráveis e não atiráveis, que aparecem e desaparecem com tempo determinado. O aluno deve identificar o alvo, identificar qual objeto o alvo está portando e realizar o tiro duplo ou não. Esse tipo de exercício dá ao operador a oportunidade de desenvolver a capacidade de tomar decisões em curtos espaços de tempo para atirar ou não e de realizar os disparos com aproveitamento.

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Nesse exercício vemos a simulação de um duelo metálico. Essa parte foi mais lúdica, tendo inclusive torcida e palmas para o vencedor, mas não se engane, a acuidade da mira estava sendo exercitada e da melhor forma, divertindo.

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Esses vídeos mostram a realização dos exercícios mencionados acima:

 

 

Todas as etapas anteri0res foram preparações para o momento maior da disciplina de USF, o tiro propriamente dito. Os exercícios feitos no tiro virtual foram os mesmos a serrem usados nessa etapa, o tiro com munição real.

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Na fase inicial fizemos o Tiro de Assimilação, como o próprio nome diz e o momento em que o aluno tem a oportunidade de assimilar o recuo da arma e do calibre .40S&W, acostumar-se com o deslocamento de ar e com o estampido do tiro e começar a colocar em uso os fundamentos apreendidos nas outras etapas. Vale ressaltar que grande parte da turma nunca havia atirado antes e o calibre .40S&W é um calibre forte. Considero que é salutar que antes de se atirar com calibres “fortes” é interessante realizar disparos com calibres mais fracos, como o .22LR ou 0 .380ACP. Mas mesmo assim todos os alunos foram muito bem nos disparos de assimilação.

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Esse é o Tenente Martins, Instrutor de Tiro que ajudou nesta etapa da disciplina.

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Após o Tiro de Assimilação passamos para o Tiro Barricado, assim como houve no Tiro Virtual.

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A título de experiência os alunos atiraram também com revolveres calibre .357 Magnum, mas usando o calibre .38. Novamente nos valemos do elemento lúdico para aprimorar as técnicas apreendidas, usando um duelo metálico entre os alunos. Esse tipo de exercício é muito importante para aumentar a velocidade do tiro e o enquadramento da visada, pois não há como acertar os gongos metálicos se não fizerem o enquadramento correto.

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Esses vídeos mostram os alunos realizando disparos duplos em movimento usando o tiro instintivo:

 

 

Quase chegando ao fim do curso e a tão esperada prova, onde seria conseguida a nota do curso e o conceito HABILITADO ou NÃO HABILITADO para o uso de pistolas, apliquei uma técnica que aprendi com os instrutores da SAT (Sessão e Armamento e Tiro) da Academia Nacional de Polícia, quando fiz um curso no Departamento de Polícia Federal, aplicamos uma prova teste antes da prova real.

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Sempre antes da aplicação da prova faço a preleção e explico os pormenores do que será exigido e faço também a explanação da súmula e os critérios a serem observados. Quando todas as dúvidas forem resolvidas eu faço uma passada na pista para que os alunos possam ver na prática como deve ser realizado o exercício.

Esse vídeo mostra a demonstração da pista antes da aplicação da prova:

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Aplica-se o mesmo exercício que será usado na prova antes da prova propriamente dita. E nessa passada prévia faz-se as mesmas observações que seriam feitas durante a prova, porém a título de ensinamento. Aqui o professor pode corrigir e orientar os alunos, parando o exercício se for o caso. Isso proporciona ao aluno mais segurança e maior aproveitamento dos ensinamentos aplicados no curso.

O stresse elevado que acontece durante a prova, pode atrapalhar o rendimento. Com a aplicação de uma prova teste, antes da prova real, dá ao professor a oportunidade de ver o rendimento do aluno sem o stresse da prova, pois ele faz os mesmos apontamentos que faria na oportunidade da prova e também ao aluno a possibilidade de compreender seus erros, pois são corrigidos imediatamente.

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A prova é feita toda em Tiro Duplo e começa com um tiro sentado – simulando o tiro embarcado em viaturas. Após o atirador desloca para a próxima estação de tiro, que é uma barricada, onde faz um Tiro Duplo para cada lado na posição de pé, desloca para a próxima barricada onde atira ajoelhado, duplo para os dois lados e depois corre para a última estação de tiro, que é deitada com tiro duplo para os dois lados. É obrigatória a realização da recarga emergencial e existe um tempo máximo para se realizar a prova.

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Esse é o modelo das súmulas das provas.

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Com a aplicação de uma súmula tenta-se diminuir ao máximo a subjetividade, que no meu entender é inata das provas de tiro e muito prejudicial. Os critérios a serem observados são elencados e as regras da prova são pormenorizados antes da aplicação. Para cada observação que é feita para o aluno em consequência de algum erro cometido durante a prova é descontado 5 pontos do aluno, que entra na pista de tiro com 100 pontos. Ao final o resultado dos acertos e erros dos procedimentos são somados e se faz a média simples com os acertos dos disparos conseguidos na prova.

Esse vídeo mostra uma das alunas realizando a prova:

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Alunas do COS com o seu fardamento de trabalho.

Como dito no início dessa publicação, escolhi relatar a trajetória dessa turma pela disciplina de Uso Seletivo da Força, pois em vários anos como professor de tiro da PMGO foi a que fez um caminho didático muito bom, passando pelo aprendizado do manuseio da arma e dos fundamentos do tiro. Inicia o tiro com marcadores de Paintball, continua a trajetória com o tiro virtual e então faz os disparos com munição real, onde aplicamos a prova e conseguimos a Habilitação dos Oficiais do Quadro da Saúde. Os resultados conseguidos foram excelentes, pois todos os alunos foram aprovados na disciplina e Habilitados para o uso de pistolas de ação dupla.

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A experiência conseguida com essa turma de USF foi muito válida pois as técnicas e ferramentas disponibilizadas e utilizadas proporcionaram resultados excelentes no que diz respeito ao aproveitamento e aprendizagem do tiro policial. Tive o prazer de conseguir esses resultados e de ser professor de alunos tão dedicados, dos quais fiz vários amigos entre eles.

TAURUS OU IMBEL?

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Há muitos anos me deparo com essa pergunta. Que arma devo comprar uma TAURUS ou uma IMBEL? Alunos, atiradores, admiradores, pessoas que querem garantir sua defesa pessoal comprando uma arma, simpatizantes e tantos outros, sempre que começam a se interessar pelas artes bélicas se perguntam que arma devo comprar?

Evitei tocar nesse assunto várias vezes, pois vaidades e interesses, dentre vários outros fatores entram em jogo e com certeza – e nem é minha intenção, essa breve publicação nunca iria exaurir o tema e desagradaria mais que agradaria aos que entendem ou querem entender sobre o assunto. Então deixo bem claro que o que adiante vou expor são opiniões minhas. Assim, fiquem à vontade para colocar as suas, pois sei que esse assunto poderá gerar inclusive discussões acaloradas.

Pistola Tanfoglio

Pistola Tanfoglio

Começo deixando bem claro que falo da escolha entre TAURUS e IMBEL, pois se pudesse comprar outra marca de arma de fogo com certeza não compraria uma arma da IMBEL, muito menos da TAURUS. Compraria outras marcas, uma para cada fim, como por exemplo: uma pistola TANFOGLIO ou da STI para a prática do IPSC; uma pistola da Glock ou da CZ para trabalhar (no caso a CZ Duty); e para o uso fora de serviço, de maneira bem dissimulada ainda continuaria com com uma Glock, uma CZ ou uma Walther, porém, para este fim armas de duas polegadas.

Pistola CZ Duty

Pistola CZ Duty

Então, seguindo esse raciocínio, se queremos escolher entre uma pistola da TAURUS ou uma da IMBEL, primeiro temos que decidir para qual fim queremos essa arma de fogo. Para o trabalho policial, para a defesa pessoal ou para fins desportistas. Assim, vou falar das características gerais de cada fabricante, para então realmente entrar no cerne da polêmica.

Pistola P22 da Walther

Pistola P22 da Walther

Precisamos esclarecer também que não podemos confundir fabricante, modelo de arma e calibre. Para essa postagem vou me referir ao calibre .40 S&W e não farei alusão a modelos de armas sem apostá-los com precisão. Isso pois a legislação nacional não autoriza que compremos armas de calibres restritos de fabricantes internacionais. Ou seja, só podemos comprar armas nos calibres 9mm Parabellum, .40 S&W e .357 Magnum, dentre outros, só da TAURUS e da IMBEL. Fora dessa limitação estão os atiradores desportistas e os colecionadores.

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Munição do calibre .40S&W.

A única força policial nacional que conseguiu fugir disso e pular o Exército Brasileiro (EB) para compras as armas que bem lhe entendessem foi o Departamento de Polícia Federal (DPF). Eles adquiriram para seu efetivo pistolas Glock no calibre 9mm, modelos G17, G19 e G26. Mais uma vez reverencio o DPF pelo espírito vanguardista dessa força. Falem o que quiser, mas falar que o DPF é mal equipado e que o nível das instruções deles é ruim, isso nunca.

Glock21 SF .45 ACP

Glock21 SF .45 ACP

Tive a oportunidade de frequentar o curso de Operador de Fuzil do DPF, ministrado pela Academia Nacional de Polícia, no qual habilita policiais para o uso de fuzis e carabinas AR15, XM15 e G36. Nesse curso recebi uma aula de excelência e competência em instrução de tiro para forças policiais. Mais para frente irei fazer uma postagem bem detalhada sobre o fuzil G36, que é um dos meus preferidos e falarei também desse ótimo curso que participei.

AR15 Colt

AR15 Colt

Sobre o calibre .380 ACP, que é o máximo em calibre que o cidadão comum pode comprar, a lei autoriza que adquira armas de fabricantes internacionais, como pistolas da Glock e da CZ, que já estão a venda nas casas de armas aqui no Brasil. Então se vc estiver em dúvida sobre comprar uma arma para sua defesa pessoal e não sabe se deve escolher entre uma pistola da TAURUS ou da IMBEL, esse dilema é facilmente resolvível. Não compre nenhuma das duas marcas. Se vc for comprar armas no calibre .380 lhe é facultado adquirir armas de outras marcas que não essas duas, compre sem titubear uma Glock ou uma CZ. Claro, após feitos todos os trâmites legais no DPF e aliás, boa sorte, você vai precisar.

Fuzil G36 da HK

Fuzil G36 da HK

Em relação ao calibre .40 por força de lei só podemos comprar TAURUS ou IMBEL, assim vamos nos concentrar nesses dois fabricantes e de forma bem breve vamos ver quem são essas empresas.

A IMBEL teve seu início com a criação da Casa do Trem, no Rio de Janeiro, em 1762, com  o nome de Indústria Bélica Nacional e tinha a finalidade de guardar, conservar e realizar pequenos reparos no armamento e nos equipamentos das tropas existentes no vice-reinado. Em 1808, foi fundada por D. João VI a Fábrica de Pólvora da Lagoa Rodrigo de Freitas, localizada no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Em 1826 foi transferida para a cidade de Magé-RJ, com a denominação de Real Fábrica de Pólvora da Estrela, mediante Decreto de D. Pedro I.

A partir de 1939 foi reestruturada, passando a ter a atual denominação de Fábrica da Estrela, funcionando como uma Organização Militar do Ministério do Exército até a criação da IMBEL em 1975. Através dos tempos, teve sua existência marcada por impulsos de modernização exigidos pela dependência externa dos principais produtos internacionais.

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Há indicativos que a criação da empresa pública IMBEL – Indústria de Material Bélico do Brasil foi em decorrência do rompimento, no ano de 1974, pelo Governo Geisel, do Acordo de Cooperação Militar Brasil – Estados Unidos, firmado durante a 2ª Guerra Mundial. Com a sua criação, as Fábricas Militares do Exército foram transferidas para a estatal, e com isso, o setor de defesa, integrado com as demais empresas privadas da época, passou a ser uma atividade estratégica para o país, com uma tecnologia nacional em evolução, que permitiria ao Brasil tornar-se mais independente em produtos militares.

No exercício de sua função produtora, administra industrial e comercialmente 5 (cinco) Unidades de Produção que têm por vocação a produção de material bélico e outros bens, cuja tecnologia derive da gerada no desenvolvimento de equipamentos de aplicação militar, por força de contingência de pioneirismo, conveniência administrativa ou no interesse da segurança nacional.

Atualmente, a IMBEL possui as seguintes Unidades de Produção:

– Fábrica da Estrela (FE), especializadas em produtos químicos, localizada no Município de Magé, RJ;

– Fábrica Presidente Vargas (FPV), especializadas em produtos químicos e em abrigos temporários (barracas), localizada em Piquete, SP;

– Fábrica de Itajubá (FI), que produz armas de calibre leve e artigos de cutelaria, situada em Itajubá, MG;

– Fábrica de Juiz de Fora (FJF), produtora de munição de grosso calibre, em Juiz de Fora, MG; e

– Fábrica de Material de Comunicações e Eletrônica (FMCE), voltada para equipamentos de comunicações e TI, no Rio de Janeiro, RJ.

A Forjas Taurus S.A. é uma empresa industrial brasileira, fabricante de produtos de defesa, capacetes para motociclistas, contêineres plásticos e pequenos componentes metálicos. Produz revólveres, pistolas, carabinas, armas de pressão, fuzis e submetralhadoras para o mercado interno e internacional, além de equipamentos para motociclismo como capacetes e óculos. A companhia ainda produz contêineres e componentes metálicos. Atualmente exporta seus produtos de defesa para mais de setenta países, constituindo-se em uma das três maiores fabricantes mundiais de armas curtas. É também a maior empresa no segmento de capacetes do Brasil.

A Forjas Taurus Ltda. nasce quando os amigos João Kluwe Júnior, Ademar Orlando Zanchi, Oscar Henrique Purper, Eugênio Ervin Hausen, Herbert Müller e João Guilherme Wallig decidem criar a própria empresa. Encomendaram o maquinário da Alemanha. No entanto, com o início da Segunda Guerra, as compras foram suspensas. Como não existiam fornecedores no Brasil, os empresários decidiram fabricar suas próprias máquinas, a princípio destinadas apenas ao consumo interno, e mais tarde, comercializadas para outras empresas.

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Na esteira da Guerra, o fornecimento de petróleo foi comprometido, forçando a empresa a construir fornos de gaseificação. Com a escassez do aço, a Taurus passou a confeccionar produtos com sucata. Um batismo de fogo, mas que demonstrou, desde o princípio, o empenho e a criatividade inerentes à marca.

Com o fim da Segunda Guerra, a importação de máquinas ficou mais fácil e mais barata. Isto dificultou a comercialização dos produtos nacionais. Diante do novo cenário, a empresa volta ao objetivo original, redireciona investimentos e começa a fabricar revólveres e ferramentas manuais. Em 27 de junho de 1949, a Forja Taurus transformou-se em uma Sociedade Anônima, dando início a um novo ciclo de crescimento.

Concluída a ampliação do parque industrial, foi construída uma nova fábrica, na zona norte de Porto Alegre. Entretanto, a década de 60 foi marcada por grandes tensões políticas no país, que resultaram numa regulamentação extremamente rígida para a comercialização de armas. Ainda sem estrutura para concorrer no mercado externo, a Forja Taurus passou seu controle acionário para uma empresa estrangeira, no início dos anos 70.

Em julho de 1980, foi adquirida a totalidade das ações da subsidiária brasileira da Indústria e Comércio Beretta S.A., de capital italiano, sediada em São Paulo, especializada na fabricação de pistolas e metralhadoras. Com isso, a Taurus passou a imprimir a sua marca em pistolas semiautomáticas, aumentando ainda mais sua capacidade de produção e linha de produtos.

Em 1981, nascia a Taurus International Manufacturing Inc. (TIMI), em Miami, Flórida, EUA, criada para impulsionar o crescimento no mercado americano. Dois anos depois, surgia a Taurus Blindagem Ltda., empresa do grupo responsável pela produção de escudos e coletes à prova de balas.

Em agosto de 1986, a Taurus iniciou, por meio da Taurus Blindagens, a produção de capacetes da fábrica Induma – Metais e Plásticos Ltda. Em pouco tempo, tornou-se pioneira no Brasil na utilização de Kevlar, uma fibra sintética cinco vezes mais resistente que o aço. Estava consolidada a liderança no mercado de capacetes para motocicletas e ciclistas, coletes à prova de balas e escudos antitumulto.

Revolver Hanging Bull da TAURUS

Revolver Hanging Bull da TAURUS

O ano de 1991 marcou o início da fabricação e comercialização das pistolas PT-22 e PT-25 pela Taurus International Manufacturing Inc. Em novembro de 1999, a Taurus completou 60 anos de existência. Em sua trajetória, a empresa tornou-se uma das três maiores fabricantes mundiais de armas curtas, com clientes em mais de 70 países, nos cinco continentes.

Quantos as pistolas que essas empresas produzem penso o seguinte:

IMBEL: suas pistolas são clones das celebres pistolas 1911 da COLT, que não por acaso é o nome de nosso Blog. Esse projeto foi um marco importantíssimo para a história das armas de fogo e dizem que é o projeto de arma curta mais copiado do mundo. As pistolas da IMBEL possuem um aço melhor, precisão de tiro melhor, estabilidade e o peso de suas armas são melhores.

Colt 1911

Colt 1911

São muito mais robustas que as pistolas da TAURUS, e com tolerâncias também mais largas. Podem ser customizadas, ou seja, podem ser modificadas, personalizadas de acordo com o gosto do dono e de suas possibilidades financeiras, pois não é algo barato trocar as peças de uma IMBEL. O seu sistema de segurança, no meu entendimento, é mais confiáveis, principalmente por causa da trava da empunhadura (beavertail), que impede que as armas disparem sem que a empunhadura correta seja obrigatoriamente feita. Possui as molas recuperadoras, do carregador e do percursor bem mais fortes que as molas da TAURUS.

Destaque na trava da empunhadura.

Destaque na trava da empunhadura.

Toda arma da IMBEL, antes de ser entregue para a comercialização são testadas com cinco disparos, inclusive o alvo onde foi feito o teste vem junto à embalagem da arma.

Como desvantagem aponto seu acabamento, que não é dos melhores, o peso excessivo para o porte dissimulado e seu funcionamento em Ação Simples, principalmente para a atividade policial. A fábrica ainda tentou melhorar essa desvantagem em relação as pistolas em Ação Dupla criando o sistema ADC (Armador/Desarmador do Cão), que faz o cão armar automaticamente ao se apertar a tecla do registro de segurança, que não é mais o registro de segurança, serve então para armar o cão apenas. A Ação Simples e o sistema ADC exigem do atirador um nível de treinamento maior, pois o operador pode literalmente morrer sem sequer dar um disparo, pois se não houver o armar do cão através do ADC a arma não funciona.

Várias armas da IMBEL vem apresentando defeito no sistema ADC, pois ele se quebra e assim a arma sai de operação. A minha mesmo caiu a peça do registro de acionamento do ADC. A fábrica está trocando essas peças de acordo com o pedido do usuário ou da Corporação policial, sem contudo fazer um Recall.

Em contrapartida, a Ação Simples das pistolas IMBEL proporciona ao atirador um gatilho muito mais leve, com um percurso menor, “pequeno” desde o primeiro disparo, o que aumenta muito seu aproveitamento e em situações onde o atirador é pego de surpresa é muito importante que o disparo seja feito com precisão. O que não acontece com as armas da TAURUS, que trabalham em Ação Dupla. O primeiro disparo, por causa do percurso do gatilho muito longo, se torna muito difícil e a probabilidade de não aproveitá-lo é muito grande.

Quero pontuar que é a Ação Dupla da Forjas TAURUS que dificulta o aproveitamento do primeiro disparo. Por exemplo a arma que inspirou a TAURUS, a Beretta 92, também em Ação Dupla, seu primeiro disparo, mesmo que com o gatilho mais longo e pesado que os outros, pois estes serão em Ação Simples, não é excessivamente pesado a ponto de dificultar a ação do atirador. Na verdade essa arma tem um projeto tão bem acabado que faz com que os disparos fiquem mais concentrados do que o normalmente conseguido com armas da TAURUS. Dá a impressão que a arma te ajuda a atirar melhor, e é isso mesmo!

TAURUS: assim como as IMBEL não possuem acabamento de qualidade e também não aguentam as exigências do uso normal, nada muito exagerado. Não aceitam customizações ou melhorias em sua estrutura. Não são robustas e possuem baixa tolerância à sujeira e diferenças de munições, principiantes recarregadas. É muito comum as munições que falharam a percussão nas pistolas TAURUS funcionarem nas IMBEL sem problema, o que prova a robustez destas.

As armas da TAURUS vem apresentando vários defeitos. Algumas já foram recebidas em Corporações Policiais sem o percursor, o que prova que não há um teste final, antes da entrega ao consumidor. Quem está duvidando é só dar uma olhadinha no YouTube, ou só ler as páginas dos jornais.

PT100 da TAURUS.

PT100 da TAURUS.

Em Brasília as pistolas da TAURUS estão dando rajada somente com uma simples chacoalhada. Em São Paulo na PMESP, da mesma forma. E lá passaram ou vão passar por um Recall para troca de peças.

Aqui em Goiás, na PMGO os modelos PT 840 passaram também por um Recall para trocas algumas peças e também o percursor, que estavam quebrando. E não adiantou, pois ainda estão quebrando.

Pistola 840 TAURUS.

Pistola 840 TAURUS.

A TAURUS vai inventando e copiando várias armas, como por exemplo as mundialmente renomadas Beretta 92, só que a cópia não passa nem perto da original no quesito qualidade, quem já atirou com uma e com a outra sabe o que estou dizendo. Não há uniformidade nas armas da TAURUS, os gatilhos cada um tem um peso diferente, o golpe de segurança e a força da mola recuperadora é uma surpresa em cada arma, mesmo em armas de modelo igual e de mesmo lote. Ainda sobre os gatilhos digo que além de serem excessivamente pesados, inclusive para a atividade policial, são grossos e mal acabados.

Pistola Beretta 92FS.

Pistola Beretta 92FS.

Alguns irão ler e discordar do que falei sobre os gatilhos das pistolas da TAURUS, pois existem vários modelos com vários tipos de gatilho. Ação Dupla e Simples, somente Dupla, somente Simples. Primeiro disparo em Ação Dupla ou Simples, a gosto do atirador… Firulas!! Armas mundialmente aceitas não se preocupam com essa gama de variedades, mas ninguém abre a boca pra falar que elas são armas sem qualidade. Acho que a TAURUS deveria se concentrar em fazer um “feijão com arroz” com mais qualidade, para depois pensar em algo mais elaborado.

O acabamento, polimento e corte das peças da pistolas é sofrível e quando são novas elas não são desmontáveis, pois as peças mal feitas não permitem isso. Imagino que a primeira montagem dessas pistolas na fábrica foi feita com uma marreta.

Pistola 24/7

Pistola 24/7

No ultimo modelo da PT 24/7 PRO D que recebemos aqui na PMGO é comum os gatilho prender a retaguarda durante o tiro, é comum também a pane de percursão, inclusive com munições novas. É como se a mola do percursor não tivesse força para ferir a espoleta e essas mesmas munições funcionam normalmente nas pistolas da IMBEL, mesmo as que foram picotadas e não percutidas nas TAURUS.

Pistola 24/7 PRO D com o gatilho preso. Fato acontecido durante o tiro.

Pistola 24/7 PRO D com o gatilho preso. Fato acontecido durante o tiro.

As pistolas da TAURUS tem como vantagens o peso leve de suas armas e a Ação Dupla, principalmente para o uso policial, o que as tornam mais fácil de usar.

Para a prática esportiva a IMBEL é a preferida pela possibilidade de customização quase que em sua totalidade. Também são escolhidas pela robustez, pelo peso da arma e pela precisão que ela proporciona, peso e tamanho do percurso do gatilho, dentre outras qualidades. As pistolas das TAURUS muito raramente são usadas para o tiro esportivo.

Para a atividade policial as pistolas da TAURUS, por causa da Ação Dupla são as preferidas, pois são mais simples de serem usadas. No primeiro tiro basta só sacar e atirar. O que não acontece com a IMBEL. Se a pistola possuir o sistema ADC você terá que armar o cão antes do primeiro disparo, através da tecla do ADC. Se não possuir o ADC terá que andar com ela com o cão armado e travado ou com ela carregada e com o cão a frente. No primeiro caso terá que sacar, destravar e atirar; no segundo caso terá que sacar, armar o cão e atirar. Duas operações nada fáceis de fazer em momentos de stress.

Esse vídeo mostra o problema das pistolas da TAURUS na Polícia Militar de São Paulo, impressionante!!!

Se fosse uma Colt 1911 original eu arriscaria colocar minha arma com o cão armado e travada em um coldre dissimulado, mas como não é causa medo. Se for uma IMBEL eu não arriscaria, da medo, pois apesar de tudo que eu falei, sei das limitações das armas da Indústria de Material Bélico do Brasil.

Já para o uso pessoal, para defesa própria eu prefiro armas em ação dupla e de pequeno tamanho – duas polegadas, sem cão (hammerles) e com o chassi em polímero. A IMBEL não possui uma arma assim, a que mais se aproxima disso é a Xodó (Pst .40 TC MD6), uma pistola da IMBEL no calibre .40, de duas polegadas, mas muito pesada e muito “pontuda” para o uso dissimulado.

xodó

Pistola TC MD6 da IMBEL, também conhecida como “Xodó”.

Assim, a arma que eu tenho para o meu uso pessoal é uma TAURUS 640 PRO, onde todos seus disparos, inclusive o primeiro é em Ação Simples. Já usei essa arma várias vezes em treinamentos e em confrontos e ela nunca me deixou na mão. Isso me leva a levantar uma hipótese minha. Acho que a TAURUS tem menos cuidado na fabricação de suas armas quando se destinam às forças policiais do que as armas para particulares. A minha 640, que comprei como um particular, é muito boa no que diz respeito a confiabilidade de seu funcionamento, mas o acabamento não é lá essas coisas.

Pistola sem cão, cão embutido ou hammerles.

Pistola sem cão, cão embutido ou hammerles.

Mesmo tendo uma pistola da TAURUS deixo bem claro que é por falta de opção. Há alguns anos eu tinha uma 24/7 .40S&W, o primeiro modelo fabricado dessa linha no Brasil. Uma novidade tecnológica sem comparações para a época, segundo a fábrica. Essa pistola TAURUS 24/7 caiu ao solo e disparou acertando e destruindo meu braço direito, entrou no tórax e saiu nas costas. Atingiu fígado e pulmão. Sim, é isso mesmo que você acabou de ler. Ela caiu e disparou com um traque, daqueles que se joga no chão e explode.

Esse outro vídeo mostra os problemas com as pistolas da TAURUS na PM do Distrito Federal.

Esses três vídeos vieram de um oficial da PMESP, atirador, enviado a mim há muitos anos. O áudio esta dessincronizado com a imagem, mas é uma pistola 24/7, se não me engano Tactical,  que dispara após ser chocada contra um cabo de vassoura. Veja que não foi necessário muita força para fazer a arma disparar.

Estou vivo graças a aquiescência divina. Assim como meu caso encontrei vários pelo país e inclusive outros aqui na PMGO e com esses casos estou movendo uma ação contra a Forjas TAURUS tentando uma indenização em dinheiro que não irá pagar nunca a paralisia que se instalou na minha mão direita e o risco que minha vida passou. Quantas pessoas vocês conhecem que levou um tiro no peito de .40 e está vivo? Eu conheço uma… Assim não há como gostar muito de TAURUS.

Então, finalizando eu uso para trabalhar uma IMBEL MD5, com gatilho da STI, alongador da trava do carregador, funil e alongador de carregador. E para o uso dissimulado, para defesa pessoal uma TAURUS 640 PRO.

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IMBEL MD5, com gatilho da STI, alongador da trava do carregador, funil e alongador de carregador. E para o uso dissimulado, para defesa pessoal uma TAURUS 640 PRO.

Como disse inicialmente, não tenho a intenção de acabar com as polêmicas desse assunto. Apenas falei de maneira livre o que eu penso sobre a escolha de uma pistola da TAURUS ou da IMBEL, embasado nos conhecimentos que consegui estudando e dando aulas de tiro, armamento e equipamento policial há mais de 12 anos, isto é, vendo na prática como essas armas se comportam no momento maior, na hora do tiro propriamente dito.

Espero que de alguma forma tenha conseguido acrescentar alguma coisa ao que os senhores já sabiam. Creio que nos debates e opiniões que irão surgir, novas observações interessantes irão aparecer. Essa publicação não está fechada e o que for postado de pertinente eu irei acrescentar ao texto. Assim como uma WIKI.

Se vocês, caros seguidores do 1911 ArFog gostaram dessa publicação, compartilhem com seus amigos. Essa é a intenção, a desmistificação e desmarginalização das armas de fogo no Brasil e isso só será possível através de vocês, nobres amantes das armas de fogo.

Obrigado.

PROJÉTEIS DE FRAGMENTAÇÃO CONTROLADA

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Nosso amigo Rodrigues Rodrigues, interessado como é pelo assunto, me enviou através da Fanpage 1911 ArFog https://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn, um vídeo muito interessante sobre uma munição de impacto controlado chamada G2R’s projectile R.I.P. Vejamos então o vídeo.

Realmente após assistir o vídeo ficamos impressionados com os resultados da munição ao se chocar com o alvo. Mas não devemos nos levar apenas pelo fenomenológico e tentar observar essa nova e tão surpreendente munição com um pouco mais de atenção.

projetil 3

O projétil G2R’s é na verdade um projétil de fragmentação controlada, pois ele se “despedaça” ao tocar o alvo, mas existem também outros projéteis de fragmentação controlada para armas curtas que se dividem antes mesmo de atingir o alvo desejado, assim como ocorre com os cartuchos de armas longas preenchidos de bagos de chumbo ou algo semelhante.

projetil 1

Segundo o fabricante dessa munição a geometria de sua ponta, faria com que o projétil se fragmentasse de maneira maximizada ao atingir o alvo, sem conduto perder a trajetória durante o voo, aumentando assim a destruição de tecidos e consequentemente o Poder de Parada da munição. A ponta de divide em oito “pétalas”, que tomam destino variado dentro do alvo atingido e o cartucho pode ser usado contra vários tipos de superfície como madeira planas, vidros de veículos, placas de gesso, blocos de cimento, placas de metal e várias camadas de tecido grosso.

balão

Existem vários outros projéteis de fragmentação controlada que surgiram antes do G2R’s, como por exemplo os projéteis VBR-Belgium 7.92x24mm S-3P, onde o “S” significa “Shotgun” nessa nomenclatura. Essa munição de defesa pessoal necessita um kit de adaptação para as pistolas Glock 17, 19, 6 26.  Os projéteis destas munições se fragmentam controladamente em três partes ainda fora do alvo, podendo atingi-lo em até três pontos distintos. No vídeo abaixo, vê-se como funciona o conceito e o seu efeito a 4, 7 e 10 metros.

Projéteis de fragmentação controlada como os do vídeo, que funcionam tanto em canos raiados como em canos de alma lisa, são usados também em revólveres calibre .44 Magnum e são o tipo mais adequado para defesa residencial, segundo informações do fabricante da munição.

Revolver Magnum .44 com munições de fragmentação controlada.

Revolver Magnum .44 com munições de fragmentação controlada.

Existe ainda uma munição de fragmentação controlada projetada para as armas da FN, a pistola FIVE SEVEN e o fuzil P90, que usam o mesmo calibre, o 5.7x28mm SS109, porém esse calibre, projetado inicialmente para perfurar proteções balísticas leves, como os coletes de proteção balística, devido ao pouco peso e ao seu diâmetro pequeno, resultavam em impactos de pouco “Poder de Parada”.

Para saber mais sobre essas armas e sobre a mundialmente renomada fábrica de armas FN, acesse uma de nossas publicações, clicando no link a frente:

http://1911guns.wordpress.com/2014/01/12/algumas-consideracoes-sobre-a-problematica-das-armas-de-fogo/

A munição de 5.7x28mm é utilizada na pistola belga FN Five Seven.

A munição de 5.7x28mm é utilizada na pistola belga FN Five Seven.

Para resolver esse problema da falta de Poder de Parada desse calibre a VBR-Belgium desenvolveu outro projétil para esse calibre, o VBR-Belgium 5.7 B2F 40, que é dividido em duas partes, porém, elas são ligadas por eixo, que ao tocar o alvo se quebra e a munição se parte, onde suas partes tomam destinos diferentes no interior do alvo. Essa característica dá ao projétil a possibilidade do “tombamento”, o que aumenta as cavidades permanentes e aumenta o Poder de Parada, pois o choque hidroestático resultante da transmissão de energia do projétil para o alvo, teoricamente, resultaria na incapacitação imediata ou mais rápida do oponente.

Munição VBR-Belgium 5.7x28mm B2F 40.

Munição VBR-Belgium 5.7x28mm B2F 40.

E finalmente, porém, sem exaurir o assunto, falo do calibre para revolver RT 410 Judge, ou como é mais conhecido aqui no Brasil, calibre 36, que nada mais é que um cartucho para revolver de alma lisa. O vídeo adiante é muito bem claro para explicar o que esse tipo de munição de fragmentação controlada pode fazer. Muito bom esse vídeo da CBC.

Os projéteis de fragmentação controlada são indicados para a defesa pessoal e para tiros instintivos ou sem visada, como queiram chamar, pois eles teoricamente compensam a falta de empunhadura ou de postura corporal feita nesse tipo de tiro, pois atiramos o mais rápido possível em situações adversas e inesperadas. Erros causados pela dificuldade que atiradores, geralmente com pouca prática, enfrentam ao ter que lidar com o controle de ansiedade em situações de defesa pessoal. Esse tipo de munição é tida como ideal para que pessoas com pouca experiência e adestramento em tiro possam se defender.

Revolver TAURUS calibre RT 410 Judge ou calibre 36.

Revolver TAURUS calibre RT 410 Judge ou calibre 36.

Podemos concluir que já há algum tempo existem os tais projeteis de fragmentação controlada, o que prova que não há nenhuma novidade tão grande nos cartuchos da G2R’s projectile R.I.P. Essa munição realmente é impactante, mas seus resultados, aparentemente, são muito bons no papel ou na gelatina balística. Para o uso contra alvos humanos ainda temos que esperar pra ver, e ver fora do Brasil, pois aqui, ao vivo e a cores, acho que não veremos uma munição dessa nunca.

A prática nos mostra que cartuchos com peso de ponta mais pesados são mais confiáveis, isso em qualquer calibre. As munições Premium ou +P proporcionam mais penetração e deformação, resultando em maior destruição de tecidos e assim maior Poder de Parada. Quero lembrar que a G2R’s projectile R.I.P. se divide em oito “pétalas” pequenas e muito leves.

Munição G2R's projectile R.I.P.

Munição G2R’s projectile R.I.P.

Outro detalhe é o preço alto dessas munições, inclusive para o mundo bélico dos Estados Unidos da América. Por lá essa munição custa em torno de US$ 2,oo, cara até para os padrões daquele país, principalmente se considerarmos que para se ter segurança com uma arma é necessário a realização de 100 ou 200 disparos no mínimo.

Se realmente a alta velocidade, e o pouco peso das munições de fragmentação controlada fossem a solução para os “problemas” dessa natureza, todos estariam usando esse tipo e munição, incluindo as forças policiais mundo a fora e isso não acontece. Geralmente a prática nos responde várias questões e neste caso se aplica essa máxima.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A PROBLEMÁTICA DAS ARMAS DE FOGO.

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A problemática que cerca as armas de fogo, vender ou não vender, ter ou não ter, usar ou não usar, não é exclusividade do Brasil. Está temática ética e até mesmo moral envolve a nação global e levanta polêmicas e discursos inflamados a favor e contra as armas de fogo.

Encontramos perdidos entre os milhares vídeos sobre armas de fogo no YouTube, um documentário chamado “Comerciantes de Armas”, que tenta mostrar um pouco desta polêmica.

Este documentário serve perfeitamente para aqueles que gostam de aprofundar um pouco nos temas que envolve as arma de fogo. De um lado mostra a uma fábrica de armas, a FN, que gera milhares de empregos e sustenta toda uma cidade Belga, mas mostra a outra extremidade, onde as armas matam e mutilam no Congo ou na Líbia, servindo de meio material para as atrocidades de rebeldes extremistas ou ditadores ensandecidos, como o Muammar al-Gaddafi.

“Comerciantes de Armas” fala da Fabrique Nationale de Herstal, normalmente abreviado para Fabrique Nationale ou simplesmente FN, que é uma empresa belga fabricante de armas de fogo, localizada em Herstal. A FN é uma subsidiária do Grupo Herstal, também proprietário do U.S. Repeating Arms Company, ou mais comumente conhecida como Winchester e da Browning Arms Company, que são duas das mais renomadas e maiores fabricantes de armas dos Estados Unidos da América, que é o maior produtor de armas do mundo.

fachada FN

As armas produzidas pela FN Herstal são usadas pelas forças armada de mais de 100 países. Para nós brasileiros a FN é muito conhecida, pois o fuzil mais usado no Brasil, o FAL (Fuzil e Assalto Leve), é um projeto comprado desta empresa e aqui reproduzido, com as nossas limitações, pois o fuzil original da FN, que já não é mais produzido por lá, é muito superior ao aqui fabricado.

FAL 7,62mm da IMBEL

FAL 7,62mm da IMBEL

A FN produz armas de ponta e mundialmente bem conceituadas como a sua pistola Five Seven e o fuzil P90, que possuem o calibre exclusivo 5,7x28mm, para as duas armas. Isso mesmo, você usar o mesmo calibre na pistola e no fuzil e a pistola é conhecida como “fura colete”, pois possui alto poder de transfixação e alta transmissão de energia. Alguns países proíbem a comercialização dessa pistola da FN por causa de seu poder destrutivo.

Fuzil FS2000 da FN.

Fuzil FS2000 da FN.

Pistola Five Seven da FN.

Pistola Five Seven da FN.

Encontramos uma infinidade de vídeos que mostram a Five Seven em ação, inclusive perfurando coletes. O vídeo abaixo mostra de maneira bem simples a arma a munição e ela trabalhando.

Como o documentário é sobre comerciantes de armas, não havia como não chegar na história de Viktor Anatolyevich Bout, conhecido como o  “Mercador da Morte”, e tido como o maior traficante de armas do mundo. Este homem foi a personagem que inspirou o famoso filme “Senhor das Armas” (2005), estrelado por Nícolas Cage.

Bout era um ex-militar soviético e comprou aviões Antonov da antiga União Soviética, formando uma próspera empresa de aviação que entregava armas para o mundo todo, mas principalmente para a África e Oriente Médio durante os anos 1990 e início de 2000.

Avião Antonov AN-225.

Avião Antonov AN-225.

Viktor Bout foi preso em um hotel de luxo em Bancoc em março de 2008, após uma operação entre EUA e Tailândia que simulou uma tentativa de compra de armamento por um falso integrante das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Os EUA queriam que ele fosse extraditado, e enquanto a primeira tentativa falhou, uma segunda tentativa foi bem-sucedida. Bout agora vai enfrentar acusações em um tribunal dos EUA. A decisão de Bancoc pela extradição foi precedida de intensas pressões diplomáticas tanto dos EUA como da Rússia, que queria a volta do ex-ofical soviético a Moscou.

Viktor Anatolyevich Bout, o Mercador da Morte.

Viktor Anatolyevich Bout, o Mercador da Morte.

A lei nacional não proíbe que um cidadão possa ter sua arma de fogo, seja para a posse em sua casa ou estabelecimento comercial, ou para o porte, situação que, teoricamente o cidadão manteria sua arma de fogo junto a ele em quase todos os ambientes.

Inclusive o povo brasileiro no ano de 2005, confirmou sua vontade de possuir sua arma de fogo, em um Referendo sobre o desarmamento compulsório da população ou não. Os brasileiros decidiram com 63,94%, contra 36.06%, que não abriam mão de possuir uma arma de fogo.

Mas a realidade hoje é outra. Você cidadão pode ter uma arma, pois a lei lhe garante, mas você não conseguirá possuí-la. O porte ou posse de uma arma de fogo é protegido por lei, mas deve ser apreciado previamente pela Polícia Federal (DPF), que é o órgão que decide se você realmente necessita ou não de uma arma de fogo.

E o que vemos é uma quantidade muito grande de pessoas que ingressam com os processos para tentar conseguir uma arma de fogo, que é caro, longo e difícil, mas ao final tem o seu pedido negado. Não importa se o solicitante seja um advogado criminalistas, empresários ou simplesmente um cidadão querendo ter um meio de proteção para sua família. Em regra ninguém consegue a autorização do DPF para possuir portar uma arma de fogo.

INSTRUÇÃO DE PAINTBALL MONTADO EM MOTOCICLETAS

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No mês de agosto deste ano os alunos do CIRO – Curso de Intervenção Rápida Ostensiva, participaram de uma instrução de tiro com marcadores de paintball, montados em motocicleta, atirando em movimento.

Alunos do 11º CIRO.

Alunos do 11º CIRO.

O CIRO é o curso que forma policiais militares (PPMM) para que possam trabalhar no GIRO, que é o Grupo de Intervenção Rápida Ostensiva da Polícia Militar do Estado de Goiás. O GIRO da PMGO foi o primeiro grupamento do Brasil a fazer o policiamento de alto risco em motocicletas e já foi objeto de outra publicação de nosso Blog.

Para saber mais sobre o GIRO acesse nossa publicação anterior clicando no link: http://1911guns.wordpress.com/2013/02/13/instrucao-com-o-fuzil-md97-imbel/

O CIRO tinha além dos dez alunos da PMGO, mais dois PPMM da PM da Bahia.

O CIRO tinha além dos dez alunos da PMGO, mais dois PPMM da PM da Bahia.

O paintball começou a ser usado na PMGO em instruções policiais militares graças ao Tenente Coronel Flecha, que trouxe esse “brinquedo” para dentro do quartel e desde então vem ajudando na formação e especialização de PPMM de nossa Corporação.

Os aparelhos de paintball são chamados de marcadores, objetivando separar esses aparelhos da imagem das armas de fogo. Na maioria das vezes os marcadores de paintball não são idênticos ás armas de fogo, primam principalmente pela praticidade do equipamento durante as partidas de paintball, mas alguns são simulacros de fuzis como o XM15.

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Os marcadores que usamos geralmente em nossas instruções são simulacros de armas de fogo. Neste caso os marcadores usados simulam o AR15 da Colt ou XM15 da Bushmaster e alguns outros que não são simulacros de armas de fogo também foram usados. Para o treinamento policial militar é melhor os marcadores que se assemelham à armas de fogo, pois ajuda o aluno se habituar com o formato, com a empunhadura e a condução do armamento real.

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Como a atividade principal do GIRO é a pilotagem de alto risco, direcionada para o crime cometido em motocicletas, a atenção dos PPMM é voltada principalmente para a abordagem à motocicletas. Isso motivou esse treinamento, pois a possibilidade de uma reação no momento de uma abordagem, ou o enfrentamento com arma de fogo em deslocamento, contra agressores é real.

As equipes do GIRO são equipadas com a carabina MD97 da IMBEL e cada policial tem uma pistola no calibre .40 S&W, seja da TAURUS ou IMBEL, além do DEC – Dispositivo Eletrônico de Controle, mais conhecida como TASER.

DCIM100GOPRO

O Garupa, que é o PM encarregado pela segurança da equipe em deslocamento, nas paradas no trânsito e principalmente no início da abordagem a suspeitos, pois os outros PPMM estão com as mãos no guidão da moto e ele está com a arma em punho, fazendo o enquadramento inicial dos abordados. Inclusive durante o patrulhamento o garupa fica com a arma na mão, repousada sobre a perna. Sempre pronto para responder possíveis agressões armadas.

DCIM100GOPRO

Porém, a prática já nos mostrou que em ocorrências policiais, mesmos os PPMM que estão pilotando, no momento do enfrentamento com armas e fogo, também atiram. A destreza dos pilotos do GIRO da a eles a possibilidade de executar disparos com aproveitamento, dentro dos níveis de segurança que o POP PMGO exige em ocorrências dessa importância.

Os exercícios começaram com uma preleção inicial falando sobre o manuseio dos marcadores e os objetivos pretendidos durante as instruções.

No link abaixo temos o vídeo com a apresentação da turma e o início da instrução.

https://www.facebook.com/photo.php?v=241092096046686&set=vb.127820877373809&type=3&theater

O primeiro exercício que fizemos foi o treinamento simulando a abordagem à motocicleta com duas pessoas, com possibilidade de reação com arma de fogo.

Neste vídeo temos a simulação de uma abordagem onde houve a reação dos abordados, ou a tentativa, ainda sobre as motocicletas. O segurança da equipe faz a reação corretamente, acertando seu agressor.

https://www.facebook.com/photo.php?v=241688329320396&set=vb.127820877373809&type=3&theater

A equipe de alunos, composta com quatro ou cinco PPMM, sempre com um garupa, se aproxima e da ordem ao condutor para que pare seu veículo, pois uma revista pessoal será procedida.

Neste vídeo mostramos um exercício onde os abordados foram cooperativos.

https://www.facebook.com/photo.php?v=241694825986413&set=vb.127820877373809&type=3&theater

Sem que a equipe saiba, o garupa da moto abordada, poderá ou não reagir à abordagem, seja correndo, resistindo aos comandos ou mesmo reagindo com disparos – no caso de paintball. O elemento surpresa deve estar presente, pois nunca se sabe o que pode acontecer em uma abordagem policial.

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Alunos preparando os materiais para a instrução.

Percebemos no decorrer da instrução que não há como fazer tiro visado, aquele tiro que fazemos a mira antes de disparar. É nesse ponto que esta a importância o uso do paintball no treinamento. Ele mostra onde os PPMM acertaram, bem como onde o agressor acertou. Como o grau de adestramento dos PPMM do GIRO é  muito alto, na maioria das vezes o garupa da moto abordada foi tirado de ação antes de conseguir acertar um dos policiais.

Esse vídeo mostra o Instrutor Cabo Fernando, fazendo o exercício de tiro em movimento.

https://www.facebook.com/photo.php?v=242345735921322&set=vb.127820877373809&type=3&theater

O outro exercício desenvolvido nessa instrução foi o tiro em movimento propriamente dito. Uma moto levando um garupa tinha que perseguir outra moto e o garupa tinha que realizar disparos, acertando um manequim que estava amarrado nas costas do piloto. Os disparos deveriam acertar somente o manequim e serem feitos em tiro duplo, que é o tiro policial por excelência.

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Atirar em movimento não é tarefa fácil. a moto que está a frente pode tomar qualquer direção ou até mesmo frear e o controle do cano da arma deve ser tido como pressuposto de segurança maior. Se houver a necessidade de trocar de empunhadura, passando a arma para o braço forte ou fraco, o cano da arma não pode “varrer” as costas do piloto e essa mudança de empunhadura deve ser feita com o dedo fora do gatilho.

Neste vídeo servi de motorista do Cabo Fernando, Instrutor de Pilotagem. Foi quando pude entender a necessidade do entrosamento entre piloto e atirador.

https://www.facebook.com/photo.php?v=242345489254680&set=vb.127820877373809&type=3&theater

Uma conclusão importante que chegamos é que na maioria dos casos não é necessário trocar de empunhadura, basta o piloto da moto angular sua posição sempre a esquerda do alvo, se o atirador for destro ou a esquerda se o atirador for canhoto. Isso pede da dupla piloto/atirador um entrosamento muito grande, pois o piloto deve sempre proporcionar ao atirador a melhor posição de tiro, com o melhor ângulo de visada. E o piloto também deve se posicionar de maneira que o garupa da moto que esta sendo seguida não tenha ângulo de tiro, observando sempre para qual lado o agressor esta virando e posicionar sua moto sempre para o lado oposto. Isso tudo em movimento e feito em alta velocidade.

Concluímos também que o capacete é um acessório que atrapalha o atirador e fazer a visada correta, encostando a face na coronha da arma longa, o que obriga que o tiro montado seja semi visado, nem totalmente instintivo, nem totalmente visado.

Temos que destacar que na atividade cotidiana do GIRO os PPMM portam uma arma curta, que é mais fácil de empunhar, porém, mais difícil de atirar em movimento, pois não possui a coronha da arma longa e por isso desestabiliza mais no momento do tiro.

A quantidade de bolinhas colocadas em cada marcador era apenas 20, pois diferentes das partidas de paintball que acontecem no mundo civil, os PPMM quando em atividade, não tem a mesma quantidade de munições que os jogadores do esporte. Limitamos a quantidade para que o PM se habitue a controlar seus tiros, para não ficar sem munições em uma ocorrência policial.

Nesse vídeo temos os meus disparos. O piloto foi o Cabo Fernando, que gentilmente cedeu as imagens para essa publicação.

https://www.facebook.com/photo.php?v=242338552588707&set=vb.127820877373809&type=3&theater

O piloto tem a função de escolher o melhor ângulo de tiro para o atirador e pelo atirador deve ser orientado, a verbalização entre os dois é fundamental. O atirador deve se concentrar no tiro, no momento e no local correto, pois como já prevê o POP PMGO, se a segurança de pedestres e transeuntes for colocada em risco e ação poderá inclusive ser abortada.

Esse treinamento foi feito com marcadores de paintball simulando armas longas, porém, a arma que o PM carrega e com ela faz a primeira reação e a pistola, uma arma curta. As armas curtas dão ao atirador uma maior mobilidade, mas o tiro com a pistola é mais difícil do que com a carabina MD97, pois essa oscila, desestabiliza menos que as armas curtas, mas em contrapartida são mais difíceis de manuseá-las quando em deslocamento montado, seja em patrulhamento normal ou no deslocamento de alto risco.

E nesse link temos um vídeo com o exercício de tiro feito por um dos alunos do curso.

https://www.facebook.com/photo.php?v=242367402585822&set=vb.127820877373809&type=3&theater

Usamos em nossas motos um coldre acoplado a seu quadro para a condução da arma longa. A experiência nos mostrou que é insalubre e desumano a condução da carabina nas mãos ou nas costas do operador, fixadas com uma bandoleira ao corpo ou não.

Moto GIRO

Aquela velha e batida máxima “TREINAMENTO DURO, COMBATE FÁCIL”, é a que mais me vem a mente em treinamentos como esse. O equipamento pesado, o sol forte, a arma longa, a moto de difícil pilotagem, com um garupa se mexendo e fazendo movimentos brusco, o risco da velocidade e no combate real a “bala que canta” de lá pra cá, fazem com que treinamentos como esses sejam desgastantes, perigosos e até insalubres. Mas só podemos conseguir um nível mínimo de segurança tanto para nossos PPMM, quanto para a população, através deles.

empinando

A voluntariedade, o sacerdócio e o amor ao GIRO é que move os “Cavaleiros de Aço” a combaterem o crime numa modalidade de policiamento tão perigosa e desgastante como o patrulhamento de alto risco, que é a função primordial do GIRO. E são qualidades como essas que fazem do GIRO da PMGO o primeiro e o melhor grupamento de policiamento nessa modalidade.

piramide

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