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PARA ONDE VÃO AS ARMAS DE FOGO APREENDIDAS NO BRASIL

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Com as novas discussões sobre o Estatuto do Desarmamento – Lei 10.826/2003, várias questões envolvendo as armas de fogo de nosso país vieram à baila novamente, como por exemplo se o cidadão tem direito de portar uma arma de fogo ou não. Mas essa questão polêmica não é nosso objetivo hoje, mesmo porque sou suspeito para debater esse tema, pois amante das armas de fogo como sou, é claro que acho que todo cidadão tem direito de se defender, inclusive usando uma arma de fogo se for preciso. O tema que iremos tratar nessa publicação é qual o fim das armas de fogo apreendidas no Brasil, pois poucos sabem o que acontece com essas armas.

A destruição de armas de fogo apreendidas é responsabilidade do Exército Brasileiro, porém, essa é a última etapa de um processo que envolve vários outros atores. O primeiro passo é a apreensão do armamento pelos órgãos de segurança pública dos estados, como as Polícias Militares, Federal, Rodoviária Federal, Civil, e as Guardas Municipais.

Grandes quantidades de armas de fogo têm sido inutilizadas e destruídas pelo Exército Brasileiro (EB) nos últimos anos. Dados da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) apontam que, entre 1997 e 2012, a Força Terrestre incinerou 3,1 milhões de pistolas, revólveres, fuzis, espingardas, entre outros. Desse total, 15% referem-se ao material recolhido na Campanha do Desarmamento, realizada entre 2004 e 2006 pelo Ministério da Justiça. As informações de 2013 ainda estão sendo apuradas, segundo o DFPC.

Não há linearidade no número de apreensões nem de destruições ano a ano, já que o montante varia para mais ou para menos dependendo da época ou da cidade. As 12 regiões militares – que representam a forma como é dividida a atuação do Exército pelo País – receberam, de 2003 a 2010, 1,3 milhão de armas, tendo destruído 1,2 milhão delas.

Uma vez que chega ao EB, o armamento é conferido quantitativa e qualitativamente. É feita a inspeção de segurança e expedido o Recibo de Entrega. Todo o processo é filmado. O procedimento seguinte envolve a inutilização prévia do material por meio de prensamento e queima dos componentes plásticos, de madeira e polímeros, exceto Brasília que possui uma máquina específica para a destruição de armas de fogo. Depois de destruídas, as armas ficam a cargo dos Depósitos de Suprimento a guarda temporária.

Quando há quantidade suficiente nos depósitos, os armamentos são transportados para fornos incineradores de empresas, em geral companhias siderúrgicas parceiras. Por fim, o material é queimado, transformando-se em liga metálica, que algumas indústrias reaproveitam convertendo em arame, tubulação e demais materiais de construção de estrutura metálica.

A destruição do armamento apreendido não é o único fim que o material pode ter. De acordo com a Lei 11.706, de 19 de junho de 2008, ao receber as armas, o Comando do Exército tem autorização para, caso julgar pertinente, doar o material para as próprias Forças Armadas ou órgãos de segurança pública, o que raramente acontece.

Essa máquina de destruição de armas de fogo pertence ao Exército Brasileiro e está na capital federal, dentro de uma das inúmeras unidades militares de Brasília. Tive a oportunidade de vê-la em funcionamento numa visita técnica que fizemos DFPC 11ª Região Militar, para uma palestra sobre produtos controlados.
Ela custou para o estado cerca de 1 milhão de reais e mesmo assim não atende às necessidades para aquela atividade, pois ela não destrói armas longas. As armas longas devem ser cortadas previamente em pedaços menores para então serem trituradas pela máquina de destruir armas. Vejamos o vídeo que está em nosso canal no Youtube – 1911 ARMAS DE FOGO:

Essas fotos foram feitas no momento da demonstração de funcionamento da máquina:

Armas a serem destruídas.

Inclusive nesse dia que eles fizeram essa demonstração da destruição das armas para os participantes da palestra, à princípio a maquina não funcionou, se não me engano por problemas no seu gerador, de forma que a apresentação havia sido cancelada, mas o Sargento responsável pela máquina, com muito custo, conseguiu fazê-la funcionar e a apresentação aconteceu.

Armas após serem destruídas.

Esse é o resultado final, após as armas terem passado pelo triturador.

Finalmente apresento esse vídeo que explica o processo de inutilização das armas de fogo no Rio de Janeiro, que tem um número bem expressivo em apreensão de armas de fogo.

FONTE:

– http://www.brasil.gov.br/defesa-e-seguranca/2014/03/em-15-anos-exercito-destruiu-3-1-milhoes-de-armas-de-fogo

– https://www.youtube.com/watch?v=EWIPb8mwPgc

PROTEÇÃO BALÍSTICA – Parte I

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Este tema, proteção balística, hoje é muito amplo e de maneira alguma conseguiríamos exauri-lo, pois encontramos proteção balística em itens como óculos, luvas, vidros, fios elétricos, peças automobilísticas, veículos (civis e militares) além de uma infinidade de possibilidades, por isso mesmo vamos nos ater a proteção balística pessoal, fazendo um passeio histórico desde sua possível origem, atualidade e algumas novidades que andam aparecendo por ai.

Na página da Self Defense encontramos uma artigo do nosso amigo Major Victor, que nos dá uma introdução muito interessante sobre a proteção balística e sua evolução. Lá nos é apresentado que a primeira utilização pelo homem de algo semelhante ao que hoje nós conhecemos como proteção balística, foram as peles de animais, usadas ainda pelos primitivos para se proteger das garras e presas dos predadores. Muito depois, surgiram os escudos, feitos de peles no início, e então de materiais rígidos, como a madeira e metais. Os metais também foram usados pelos romanos na proteção do corpo, como placas peitorais, e depois como armaduras de corpo inteiro na idade média. Com o advento das armas de fogo (por volta de 1500 d.C), as proteções existentes tornaram-se obsoletas e logo perderam espaço.

Essa é uma cota de malha de aço, usada embaixo das armaduras dos cavaleiros medievais. Com o surgimento de balestras mais poderosas e depois das armas de fogo as armaduras medievais perderam a função de proteção do seu usuário.

Essa é uma cota de malha de aço, usada embaixo das armaduras dos cavaleiros medievais. Com o surgimento de balestras mais poderosas e depois das armas de fogo as armaduras medievais perderam a função de proteção do seu usuário.

A proteção balística flexível como hoje conhecemos teve suas origens ainda no Japão medieval, onde os guerreiros usavam peças confeccionadas em seda para se proteger do fio das espadas e das flechas inimigas. Somente no século XIX é que os americanos tentaram utilizar a seda com fins de proteção balística, contudo, esta se mostrava efetiva contra os projéteis de baixa velocidade (em torno de 100 a 150 m/s) das armas usadas até então, e ineficazes contra a nova geração de armas raiadas, que atingiam mais de 200 m/s. Além disso, o custo da seda era altíssimo – o equivalente a 2.500 reais de hoje – por unidade.

A próxima geração de material balístico viria durante a Segunda Guerra Mundial. O Nylon balístico era eficiente contra fragmentos de projéteis e explosões, mas não detinha a maior parte dos projéteis de pistolas e fuzis. Além do quê, eram extremamente grandes e desajeitados, mal servindo para fins militares. Mais

ESPINGARDA MOSSBERG 930 SPX

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No dia 24 de abril tive a oportunidade de testar uma espingarda Gauge 12 de uma renomada fábrica de armas de fogo, a Mossberg. A arma em questão foi a espingarda 930 SPX e mais a frente vamos falar das conclusões conseguidas desse teste. Mas primeiro quero situá-los sobre essa famosa fábrica de armas.

simbolo

A Mossberg & Sons, mais conhecida apenas como Mossberg, é um fabricante americano de armas de fogo especializada em espingardas, rifles, miras ópticas e acessórios para armas em geral. A partir de 1940 até os anos 1960, ele também produziu rifles esportivos no calibre .22.

Oscar Frederick Mossberg, natural da Suécia, chegou aos Estados Unidos em 1886. Trabalhou na fábrica de bicicletas de Iver Johnson, nativo da Noruega, que se tornou famoso por causa dos revólveres que produzia. Juntamente com seus dois filhos Iver e Harold, O.F. Mossberg fundou a O.F. Mossberg and Sons em 1919 e neste mesmo ano começou a produção de armas de fogo, como as pistolas e rifles de calibre .22, espingardas e miras ópticas para rifles, gerando um período de diversificação no mercado de artigos esportivos.

Espingarda da Mossberg e alguns equipamentos cambiáveis.

Espingarda da Mossberg e alguns equipamentos cambiáveis.

A Mossberg produziu suportes para armas, tacos de golfe e outros artigos, mas sempre mantendo o negócio de armas de caça como o principal. Sempre se mantiveram como uma empresa familiar e assim são até hoje, a Mossberg é o mais antigo fabricante de armas de fogo de propriedade familiar na América. Mais

INSTRUÇÃO DE TIRO COM O CURSO DE OFICIAIS DA SAUDE

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Vários amigos e seguidores sempre pediram para que eu contasse como era a experiência de ser um professor de tiro, atividade que faço desde desde 2002, como professor da PMGO, ano que me formei no Curso de Instrutor de Tiro (CIT). Na PMGO, para que você possa ministrar aulas de tiro ou de Uso Seletivo da Força (USF) é requisito obrigatório que você seja possuidor deste curso.

Decidi então escrever sobre a trajetória de um curso para atender ao pedido de nossos seguidores e amigos e também pois os alunos da turma em questão eram um público um pouco diferentes do que sempre lido, são psicólogos, dentistas e médicos. E finalmente pois esse curso, o Curso de Oficiais da Saúde (COS) foi o que eu consegui o melhor percurso didático de todos os cursos que já ministrei na minha trajetória como professor de tiro. Eles tiveram a parte teórica com o armamento, fizeram instruções de Paintball, depois o tiro virtual em estande de tiro virtual e então a instrução de tiro propriamente dita, que ao final uma prova foi aplicada, onde se conseguiu além da nota necessária para ser aprovado no COS, o conceito final de HABILITADO ou NÃO HABILITADO para o uso de pistolas ação dupla, homologado pela PMGO.

Alunos do Curso de Oficiais da Saúde da PMGO

Alunos do Curso de Oficiais da Saúde da PMGO

Os alunos do COS foram admitidos na PMGO através de concurso público para desenvolverem atividades inerentes a sua profissão, no caso psicólogos, médicos e dentistas, que irão atender policiais militares (PPMM) em suas demandas de saúde. Mais

TAURUS OU IMBEL?

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Há muitos anos me deparo com essa pergunta. Que arma devo comprar uma TAURUS ou uma IMBEL? Alunos, atiradores, admiradores, pessoas que querem garantir sua defesa pessoal comprando uma arma, simpatizantes e tantos outros, sempre que começam a se interessar pelas artes bélicas se perguntam que arma devo comprar?

Evitei tocar nesse assunto várias vezes, pois vaidades e interesses, dentre vários outros fatores entram em jogo e com certeza – e nem é minha intenção, essa breve publicação nunca iria exaurir o tema e desagradaria mais que agradaria aos que entendem ou querem entender sobre o assunto. Então deixo bem claro que o que adiante vou expor são opiniões minhas. Assim, fiquem à vontade para colocar as suas, pois sei que esse assunto poderá gerar inclusive discussões acaloradas.

Pistola Tanfoglio

Pistola Tanfoglio

Começo deixando bem claro que falo da escolha entre TAURUS e IMBEL, pois se pudesse comprar outra marca de arma de fogo com certeza não compraria uma arma da IMBEL, muito menos da TAURUS. Compraria outras marcas, uma para cada fim, como por exemplo: uma pistola TANFOGLIO ou da STI para a prática do IPSC; Mais

PROJÉTEIS DE FRAGMENTAÇÃO CONTROLADA

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Nosso amigo Rodrigues Rodrigues, interessado como é pelo assunto, me enviou através da Fanpage 1911 ArFog https://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn, um vídeo muito interessante sobre uma munição de impacto controlado chamada G2R’s projectile R.I.P. Vejamos então o vídeo.

Realmente após assistir o vídeo ficamos impressionados com os resultados da munição ao se chocar com o alvo. Mas não devemos nos levar apenas pelo fenomenológico e tentar observar essa nova e tão surpreendente munição com um pouco mais de atenção.

projetil 3

O projétil G2R’s é na verdade um projétil de fragmentação controlada, pois ele se “despedaça” ao tocar o alvo, mas existem também outros projéteis de fragmentação controlada para armas curtas que se dividem antes mesmo de atingir o alvo desejado, assim como ocorre com os Mais

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A PROBLEMÁTICA DAS ARMAS DE FOGO.

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A problemática que cerca as armas de fogo, vender ou não vender, ter ou não ter, usar ou não usar, não é exclusividade do Brasil. Está temática ética e até mesmo moral envolve a nação global e levanta polêmicas e discursos inflamados a favor e contra as armas de fogo.

Encontramos perdidos entre os milhares vídeos sobre armas de fogo no YouTube, um documentário chamado “Comerciantes de Armas”, que tenta mostrar um pouco desta polêmica.

Este documentário serve perfeitamente para aqueles que gostam de aprofundar um pouco nos temas que envolve as arma de fogo. De um lado mostra a uma fábrica de armas, a FN, que gera milhares de empregos e sustenta toda uma cidade Belga, mas mostra a outra extremidade, onde as armas matam e mutilam no Congo ou na Líbia, servindo de meio material para as atrocidades de rebeldes extremistas ou ditadores ensandecidos, como o Muammar al-Gaddafi.

“Comerciantes de Armas” fala da Fabrique Nationale de Herstal, normalmente abreviado para Fabrique Nationale ou simplesmente FN, que é uma empresa belga fabricante de armas de fogo, localizada em Herstal. A FN é uma subsidiária do Grupo Herstal, também proprietário do U.S. Repeating Arms Company, ou mais comumente conhecida como Winchester e da Browning Arms Company, que são duas das mais renomadas e maiores fabricantes de armas dos Estados Unidos da América, que é o maior produtor de armas do mundo.

fachada FN

As armas produzidas pela FN Herstal são usadas pelas forças armada de mais de 100 países. Para nós brasileiros a FN é muito conhecida, pois o fuzil mais usado no Brasil, o FAL (Fuzil e Assalto Leve), é um projeto comprado desta empresa e aqui reproduzido, com as nossas limitações, pois o fuzil original da FN, que já não é mais produzido por lá, é muito superior ao aqui fabricado.

FAL 7,62mm da IMBEL

FAL 7,62mm da IMBEL

A FN produz armas de ponta e mundialmente bem conceituadas como a sua pistola Five Seven e o fuzil P90, que possuem o calibre exclusivo 5,7x28mm, Mais

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